Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 04/08/2021
A imprensa de Gutenberg, inventada no século XV, representou um enorme avanço nas comunicação e na facilidade da ampla propagação de notícias. No entanto, na sociedade atual, os novos meios de comunicação utilizam mecanismos sensacionalistas que incitam o ódio da população e estimulam a justiça feita pelas próprias mãos. É cabível, portanto, analisar a causa e a consequência dessa questão, bem como possível medida para atenuar os efeitos negativos dessa mazela no país.
Inicialmente, é importante abordar de que modo a mídia estimula o comportamento agressivo das pessoas. Segundo o documentário “O Dilema das Redes”, a propagação de informações sensacionalistas somada a banalização da violência, ocorrida por sua exposição exacerbada, provoca um sentimento de revolta coletiva, de modo que os indivíduos buscam fazer justiça por meios ilegítimos. Assim, fica evidente o papel de alguns jornais e outros veículos como propulsores do ódio na sociedade brasileira.
Em segunda análise, é válido ressaltar as consequências dessas ações por um aspecto filosófico. Thomas Hobbes, filósofo inglês, buscava explicar a natureza do homem e a função do Estado na mediação das relações dos indivíduos. Segundo suas obras, o agente estatal tem a finalidade de concentrar a violência, promovendo uma relação social harmônica. No entanto, quando esse contrato social é quebrado e o homem passa a agir por sua própria natureza, como obervado nas ações coletivas em busca de justiça, a vida em sociedade se torna um caos.
Sob essa perspectiva, para retomar a segurança e a harmonia nas relações sociais, é necessário que os estímulos ao oposto sejam cessados. Dessa forma, o governo federal, por meio do Poder Legislativo, deve formular normas para barrar o sensacionalismo e as notícias falsas propagadas pela mídia, além de veicular campanhas que elucidem o tema à população, a fim de evitar, a longo prazo, que a problemática siga presente na sociedade brasileira e manipulação em busca de audiência não seja algo normalizado e que continue ameaçando a cidadania.