Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 30/10/2021
Durante o período colonial brasileiro, o primeiro caso de linchamento foi registrado no país, no qual um índio foi acusado de messianismo por membros da sua tribo. Neste sentido, percebe-se um caráter histórico de violência pela comunidade como forma punitiva e que é incitado pela mídia. Logo, analisar problemas, como o estereótipo veiculado e a contribuição das “fake news” nesse processo é fundamental.
Em primeiro plano, vale destacar o papel midiático na formação de um padrão dos criminosos. Geralmente, as notícias e reportagens são formuladas com o enfoque no perfil do criminoso - homem, preto, marginalizado - e essa característica resulta uma noção popular de que esse modelo é o legítimo. Tal realidade contribui para que operações agressivas e contantes nas comunidades do Rio de Janeiro, por exemplo, sejam encaradas popularmente como atos naturais e necessários, o que reforça o conceito de “Banalidade do Mal”, da filósofa Hannah Arendt.
Outrossim, a disseminação de notícias falsas é um fator a ser citado. A partir da facilidade que os meios digitais trouxeram socialmente, houve uma inevitável migração dos veículos de notícias para esse contexto. Entretanto, essa facilidade também deu espaço às “fake news” - notícias construídas para disseminar mentiras mas com o visual que gera credibilidade em quem lê -, o que contribui para que a população se sinta obrigada a agir em casos de impunidade. A exemplo, têm-se o caso da Mulher do Guarujá, no qual foi linchada e morta após ser confundida com uma mulher suspeita de praticar magia negra com crianças.
Portanto, erradicar essa cultura de violência no Brasil é fundamental. Sendo assim, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com os cursos de engenharia das universidades federais, deve elaborar um sistema de investigação mais ágil. Esse sistema terá meios de identificação e cruzamento de dados nacionais para que as pesquisas se tornem mais rápidas e as punições sejam efetivadas da forma certa, a fim de reduzir o estereótipo veiculado e a sensação de impunidade social.