Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 03/11/2021

Segundo o filósofo Thomas Hobbes, em seu estado natural - anterior a criação do Estado - o homem viveria em constante guerra e violência. Nesse viés, o cenário atual brasileiro, assemelha-se ao postulado pelo contratualista. Isso se deve a influência negativa da mídia nos cidadãos e a perversidade da indústria cultural, a qual acarreta no fenômeno nefasto de justiça com as próprias mãos.

Sob esse viés, é importante ressaltar o poder manipulativo da imprensa. Isso porque, de acordo com o fundador da sociologia Emille Durkheim, o meio é capaz de influenciar e moldar o indivíduo. Nessa esteira, como há na mídia do Brasil, reportagens, programas e jornais, os quais evidenciam a barbárie como algo normal e comum, por exemplo, a emissora televisiva Bandeirantes, a qual relata em pleno horário de almoço cenas de crimes com extrema violência. Dessa forma, como o cidadão está imerso em uma conjuntura social que banaliza a violência ele tende a possuir atitudes de hostilidade e agressividade.

Ademais, o panorama alarmante supracitado é atrelado a indústria cultural, acarretando na justiça com as próprias mãos. Segundo os sociólogos Theodoro Adorno e Max Horkheimer, a partir do século XX, em busca de lucro, a indústria cultural transforma a cultura em um mero produto a ser comercializado. Para tanto, a mídia incita a violência, o medo e o ódio com o intuito de lucrar ao “prender o telespectador” em seu conteúdo algoz. Consequentemente, tal contexto hediondo faz com que o cidadão enxergue na violência a única forma de acabar com o caos relatado pela impressa. Logo, a população passa a praticar justiça com as próprias mãos. Dessa modo, a sociedade entra em um ciclo vicioso de crueldade e banalização da barbárie.

Portanto, fica evidente que medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. Para isso, com o objetivo de mitigar a influência perversa da mídia e acabar com o fenômeno de “justiçamento”, o Ministério das  Comunicações (MCom) deve criar deve criar um programa nacional que promova a influência positiva da mídia. Isso deve ser feito por meio da proibição  da divulgação de conteúdos violentos fora do horário permitido, anterior às 20 horas- pois seria um horário com uma quantidade maio de um público superior aos 18 anos-, além disso, deve-se regularizar a faixa etária do público, o qual é permitido a visualização desses conteúdos violentos. Ademais, cabe ao MCom transmitir campanhas que relatem as atrocidades de se cometer justiça com as próprias mãos, a fim de que o cenário brasileiro não seja um reflexo do homem em estado natural.