Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 27/06/2022
Tanto o filme brasileiro “Tropa de Elite”, quanto o norte americano “Coringa” são exemplos de filmes que tiveram suas estreias questionadas quanto a fazerem apologia à violência. Na realidade brasileira, observa-se que, infelizmente, recursos audiovisuais influenciam na forma de pensar e agir e incentivam a justiça com as próprias mãos, já que a ineficácia dos mecanismos legais e a falta de reflexão são fatores preponderantes que dificultam a solução da temática.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a música “Que País é Este?”, da Banda Legião Urbana, diz que “Na favela, no Senado, sujeira pra todo lado, ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”. Nesse sentido, a canção denuncia o desrespeito à Carta Magna, não só pela sociedade civil, mas também pelas entidades estatais. Sob esse viés, os programas televisivos e a mídia digital reforçam a ineficácia do Estado tanto para evitar, quanto para resolver os conflitos que lhe são apresentados. Devido a isso, muitas pessoas, descrentes com a atuação do Judiciário na resolução de demandas, optam por solucionar suas dissensões por meios próprios, seja de forma física ou verbal.
Cabe mencionar, em segundo plano, que, de acordo com a filósofa alemã Hannah Arendt, em seu conceito de “Banalidade do Mal”, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, os indivíduos passam a vê-la como banal. Nesse contexto, tornou-se natural conviver com a violência, pode-se citar como exemplo disso a programação televisiva, em que jornais reportam crimes hediondos e filmes mostram inúmeras formas de agressões. Diante disso, a falta de reflexão sobre o conteúdo oferecido pela mídia impacta negativamente nas atitudes da sociedade, pois muitas vezes há sua reprodução de forma consciente ou não.
Portanto, diante do cenário atual, é reiterada a necessidade do governo federal, por intermédio do Ministério da Justiça, analisar os dados da violência e, a partir da coleta dessas informações, criar políticas públicas adequadas para a diminuição da violência. Essa análise dar-se-á por meio da parceria com as delegacias de polícia locais, para que, assim, seja possível a efetividade dos instrumentos estatais e a desbanalização da violência.