Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 10/08/2022
Na obra “Belo mundo, onde você está”, a autora Sally Rooney aponta ao leitor as idiossincrasias daqueles que vivem na hodiernidade. Embora a contemporaneidade apresente avanços relaciona-dos a mídia e a tecnologia, acaba, também, trazendo novos desafios, como a possível incitação da violência através dos meios de comunicação. Tal fator é demonstrado através do alarmante fenô-meno do “cancelamento” , que acontece nas redes sociais, por meio de um “lichamento on-line”. As-sim, faz-se necessário analisar os alicerces que sustentam tal entrave, a aludir, a omissão do Estado e a carência de visibilidade sobre a questão, no sentido de desbancar tais bases.
Primeiramente, cabe examinar a relação do Estado com a mídia. Isto posto, a impunidade rela-cionada aos casos de incitação à violência por meio da mídia é a realidade do país, resultando na ascensão de ações como as " de se fazer justiça com as próprias mãos". Sob esse viés, J. Rawls afir-ma, em seu livro “Uma teoria de Justiça”, que um governo titulado ético é aquele que destina aten-ção e recursos a todos os setores públicos. Nesse contexto, torna-se evidente que o Brasil não se-gue o pensamento do teórico, visto que negligencia o ocorrente estímulo da violência na mídia. Por-tanto, a falta de eficácia das leis, que regulamentam tal questão, favorecem a criação de um am-biente permissivo a instigação de atos agressivos, sejam eles por meio dos meios de comunicação ou presencialmente.
Em segundo lugar, é conveniente destacar a nítida invisibilização da pauta no campo social. Nes-se tocante, a “Teologia do Traste”, elaborada por M. Barros, tem como principal característica per-ceber as situações constantemente esquecidas e ignoradas, direciona o olhar do leitor ao que as pessoas não querem ver. Acerca dessa lógica, compreende-se que o imaginário brasileiro não segue tal perspectiva, dado que o debate sobre a influência da mídia nos atos de intimidação seguem dis-tantes das pautas comumentes vivencidas, contribuindo, então, naturalização de comportamentos que deveriam ser problematizados, como o “cancelamento” nas redes socias, no qual a vítima é al-vo de agressões verbais.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de se coibir tal entrave. Para isso, o Mi-nistério Público deve direcionar sua atenção e seus recursos para a efetivação e o fortalecimento de leis que punam a incitação da violência através dos meios de comunicação, elaboradas por juristas especializados na temática. Destarte, cabe ao Ministério da Educação promover debates nas es-colas, ministradas psicólogos, sobre a influência da mídia no nosso comportamento e sobre a im-portancia de pensar criticamento sobre o conteúdo consumido.