Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 07/09/2022

Impunidade. Vingança. Justiça. Vulnerabilidade. Essa enumeração evidencia alguns, dentre os diversos sentimentos gerados pela mídia na população espectadora. Dessa maneira, de forma sensacionalista, é comum e crescente ver em noticiários cenas de tragédias com discursos que geram indignação e ódio. Posto isso, é evidente que essa espetacularização incita a banalização da violência e a justiça com as próprias mãos.

Ademais, é inegável o papel importante que a mídia exerce possibilitando o maior acesso à informação e sua consequente democratização. Contudo, a ascensão do sensacionalismo, o qual busca audiência e lucratividade, rompe com esse objetivo principal. Com isso, o sociólogo Guy Debord, aborda sobre a “Sociedade do espetáculo”, a qual por meio da transmissão intencional de imagens trágicas e a espetacularização da violência manipula os indivíduos. Analogamente, essa teoria é perceptível na contemporaneidade, pois na exploração do desejo que a população tem de acabar com a violência e na sensação de impunidade, incita a vingança e o ódio. Assim, o que seria a criticidade se não um caminho para lidar com essa sociedade?

Outrossim, a banalização do sofrimento humano, a descrença nas soluções estatais, a vulnerabilidade e a justiça são sentimentos cultivados pelos espectadores da mídia brasileira como consequência direta desse modo de retratar acontecimentos. Sob esse prisma, o filósofo iluminista Immanuel Kant, com sua teoria do esclarecimento, afirma sobre a necessidade de usar o conhecimento racional crítico para atingir a maioridade, ou seja, ser independente e livre de manipulações, crenças e ideologias, guiando-se pela própria razão e questionando os discursos apresentados. Portanto, é indispensável a passagem para maioridade a fim de minimizar o ciclo de agressões.

Destarte, a escola, como instituição capaz de promover a transformação social, deve incentivar por meio do uso público da razão, isto é, debates e discussões em sala de aula, a formação de uma massa crítica o suficiente para que os indivíduos sejam capazes de filtrar e não se deixar levar pelos discursos manipuladores. Tudo isso a fim de diminuir os impactos causados pela sociedade do espetáculo.