Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 04/10/2022
Em “O Justiceiro”, uma série norte-americana da empresa Marvel Comics, é demonstrado um ex-fuzileiro que tem sua família assassinada e começa a “caçar” todo tipo de pessoa considerada por ele ruim, bandidos, fazendo justiça com as próprias mãos, gerando uma romantização pelo personagem, de forma que tentam fazer com que o observador entenda o lado dele e não condene suas ações. Entretanto, quando saimos de um universo cinematográfico, a realidade é bem diferente, não sendo possível permitir estes tipos de ações. Além disso, quando se trata de crimes extremamente perversos, a mídia não possui nenhuma decência e incentiva a justiça pelas próprias mãos, expondo os dados pessoais das pessoas acusadas, coisa inadmissível em um estado democrático de direito.
Primeiramente, quando se trata da representação de personagens justiceiros nos meios de comunicação, há uma romantização exacerbada, onde a pessoa é aclamada e venerada, assim como na série “O Justiceiro”, fazendo com que o observador esqueça totalmente a existência de leis que devem ser seguidas pelos cidadãos, incentivando cada vez este tipo de ação.
Segundamente, crimes extremamente perversos e nojentos são noticiados diariamente, e, com isso, pessoas são acusadas e possuem seus dados pessoais expostos na imprensa, entretanto, como é sabido, em um estado democrático uma pessoa só é culpada quando há provas contra a mesma, porém, diversas vezes a mídia não possui paciência suficiente e decide realizar a justiça no momento que bem quiser, dando parabéns ainda para as pessoas que realizaram o ato, algo inadmissível em uma sociedade pacífica e civilizada.
Portanto, para que a mídia pare de incentivar ações criminosas, seja através da romantização de justiceiros ou pela exposição de dados pessoais, o Governo Federal em conjunto do Ministério das Comunicações deveriam realizar campanhas de conscientização popular, de forma que instruísse a população a não fazer justiça com as próprias mãos, lembrando que tais atos são fora da lei, além de tentar reformar a visão do brasileiro sobre o sistema judiciário através de demonstrações práticas do funcionamento da lei brasileira por gravações de julgamentos, de forma que o cidadão possa confiar no estado para exercer justiça.