Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 03/10/2022
Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Em um país onde a violência atinge níveis e toma cada vez mais lugar é até compreensível que a população reaja das mais diversas, tentando se proteger. No entanto, mesmo que haja atrasos na justiça das falhas da segurança pública que é aconselhável tomar decisões diferentes de por meios legais, fazer justiça auto-igual, é não a solução para a qual é necessário abordar de outras maneiras.
Em primeiro plano, é necessário refletir sobre o atual cenário do sistema judiciário brasileiro.
A demora em dar seguimento aos casos que lhes são submetidos tem contribuído para o descrédito de uma determinada parte da população. Como resultado, a solução encontrada por muitos foi a criação de um júri popular. Os chamados “justiceiros” assumem o papel da polícia judiciária, perseguindo, condenando e penalizando os infractores. Além de não contribuir de forma alguma à ordem, fazer justiça a si mesmo é uma prática ilegal, pois, cabe apenas às autoridades constituídas aplicar as medidas punitivas.
Além disso, tomar decisões precipitadas pode ser dramático. Vítima de boatos generalizados nas redes sociais, Fabiane de Jesus, moradora do Guarujá, no litoral de São Paulo, foi acusada de ser uma sequestradora de crianças que trabalhava na área. Linchada por centenas de pessoas revoltadas, ela nem tinha o direito de se defender e foi então condenada à morte. As ações desses rebeldes têm sido a prova de que fazer justiça por si só vai contra o que preconiza o Estado Democrático de Direito, que tem garantias constitucionais amplas e contraditórias.
Fica, portanto, claro que assumir o papel de órgãos competentes não é o caminho viável. É essencial que as pessoas monitorem e exijam melhorias do governo na área da segurança e do sistema de justiça. Às medidas junta-se a necessidade de os utilizadores das redes sociais certificarem a informação partilhada, evitando assim É inaceitável que a sociedade volte a considerar como normais as barbaridades cometidas por aqueles que agem de acordo com suas próprias leis.