Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 03/10/2022
Premiada por sua editora, “Eighty Six” é uma série literária protagonizada por uma major tentando acabar com os campos de concentração presentes em seu país, almejando um futuro em que todos possam exercer seus direitos igualmente. Paralelo à ficção, os ideais da Major encontram barreiras para se validarem no Brasil diante do incentivo da mídia ao comportamento violento e “justiceiro”.
É preciso ressaltar, em primeiro plano, que se a educação nacional fosse bem-sucedida, os impactos desse problema seriam reduzidos drasticamente. Nesse contexto, é oportuno mencionar o pensamento de Nelson Mandela, que via a educação como a ferramenta mais importante para mudar a sociedade, sendo indispensável na criação de um futuro melhor. Paralelo ao pensamento de Mandela e ao cenário atual, o sistema educacional brasileiro se mostra incapaz, já que não consegue proteger a população da atitude manipuladora exercida sobre eles por parte de alguns veículos midiáticos. Assim, é impossível resolver o quadro-geral dessa problemática sem antes tratar desse empecilho em específico.
Nesse viés, ainda é preciso abordar que, se o Estado tivesse uma participação mais ativa nessa questão, sua resolução seria facilitada consideravelmente. De fato, a Constituição Federal de 1988 assegura a dignidade civil — o que inclui a liberdade de expressão e o acesso à informação —, no entanto, esse direito não está sendo exercido plenamente no contexto social atual. Nesse sentido, faltam projetos estatais que visem a conscientizar a população sobre os limites da liberdade e outros direitos civis, frisando a gravidade do vigilantismo. Dito isso, é inaceitável que esse empecilho seja tratado com menor importância ou até ignorado, sendo sua solução essencial para o desenvolvimento nacional.
Diante dos fatos expostos, fica evidente que, para resolver a questão do incentivo da mídia brasileira a violência e autojustiça, medidas devem ser tomadas imediatamente. Para tal, cabe as redes de ensino, junto do Ministério da Educação — responsável pela manutenção do ensino nacional — conscientizar seus alunos, por meio de palestras e debates, a respeito da gravidade do “comportamento justiceiro”. Assim, essa proposta deve ser realizada com o intuito de proteger as futuras gerações da manipulação midiática, mantendo sua dignidade.