Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 03/10/2022

No livro “Os Bruzundangas”, Lima Barreto descreveu um país conturbado que satirizou o Brasil no início do século XX. Existem alguns problemas com este país fictício, como a ineficiência do judiciário e a tendência dos cidadãos em exercer estas funções. Quase um século depois, é plausível que a obra desse escritor pré-modernista seja menos parecida com a brasileira de hoje. Nesse sentido, é necessário compreender as razões desse problema, que estão relacionadas a fatores políticos e educacionais.

Inicialmente, destacou-se a dimensão política do problema. De fato, como Max Weber tão bem ilustra, o Estado tem o monopólio teórico da justiça e da violência, o que garante a coesão social. No entanto, ao falhar ou retardar o cumprimento de sua função punitiva, o agente pode ser visto por muitos como ineficaz ou conivente, o que estimula a brutalidade por parte daqueles que julgam estar fazendo o que é justo. A perda do monopólio da força, levando a fenômenos como os linchamentos, existia na época de Lima Barreto.

Além disso, há a dimensão cultural do problema. Thomas Hobbes definiu que, em estado de natureza, os humanos estão em constante guerra e violência, e o governo e a educação precisam de proteção. No entanto, a escolarização no Brasil não aborda a justiça em profundidade, tocando-a em poucas aulas de humanidades, como há outros ensinamentos amplos. Assim, indivíduos sem sólida formação de justiça podem cometer injustiças com as próprias mãos ao regredir a um estado de guerra hobbesiano em momentos de revolta.

Portanto, a necessidade de intervir neste problema fica muito clara. Para isso, é necessário mudar a estrutura educacional. Portanto, as escolas devem lidar com mais cuidado com o aspecto da justiça. Mais detalhadamente, as aulas de sociologia e história para Max Weber e Thomas Hobbes podem ser usadas para criar discussões mediadas por professores que incutirão ideais de justiça nos alunos. Através desta medida, que não exclui outras medidas, espera-se que a brutalidade diminua e a semelhança com as Bruzundangas diminua.