Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos
Enviada em 03/10/2022
Os casos envolvendo violência são o maior sucesso na mídia com um aumento constante de audiência. Roubos, assassinatos, atropelamentos, entre outras situações que, se tiverem sangue suficiente, terão sua própria semana de mídia. E isso tem um ponto importante, vivemos em uma época em que o controle da opinião pública e, portanto, a direção do país está nas mãos da mídia, publicidade que de fato prejudica a sociedade ao fazê-lo, responsável inclusive pelo aumento da criminalidade. Estereótipos criados pela televisão e atualmente pela Internet, mudaram os gostos, mudaram os hábitos, tudo é regido pela vontade de quem controla a informação.
Em um país onde a violência atinge níveis assustadores e ganha cada vez mais espaço nos noticiários, é até compreensível que a população reaja de diversas formas e tente se proteger. No entanto, embora haja preguiça do judiciário e falhas na segurança pública que precisam ser corrigidas, tomar decisões que não sejam os meios legais, como fazer justiça com as próprias mãos, não é solução para problemas que precisam ser resolvidos em outros caminhos.
Em primeiro plano, o cenário atual do sistema judiciário brasileiro precisa ser considerado. A demora no julgamento dos casos a eles encaminhados contribuiu para o descrédito de uma determinada parcela da população. Como resultado, a solução que muitos encontraram foi a criação de um júri popular. Os chamados “justiceiros” assumem o papel de polícia e justiça, caçando, condenando e punindo quem comete delitos. Além de não contribuir de forma alguma para a ordem social, fazer justiça com as próprias mãos é uma prática ilegal, pois cabe apenas às autoridades instituídas aplicar medidas punitivas.
Fica claro, portanto, que assumir o papel das autoridades competentes não é um caminho viável. É imprescindível que a população monitore e exija do governo melhorias na segurança pública e no sistema de justiça. Somou-se às medidas a necessidade de os usuários das redes sociais certificarem as informações que estão sendo compartilhadas para evitar o linchamento. É inadmissível que a sociedade volte atrás e considere normal as barbaridades cometidas por aqueles que tentam agir de acordo com suas próprias leis.