Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 04/10/2022

“O homem é o lobo do homem”. A frase de Thomas Hobbes se diz respeito ao ato da sociedade fazer justiça com as próprias mãos, presente nos tempos atuais e sendo um ato costumeiro no Brasil. Tal pensamento ainda se reverbera atualmente com as ações de linchamento sendo impulsionadas pelas mídias modernas, tendo em vista a facilidade de compartilhamento de informações e o anonimato por trás de uma tela, promovido pelas redes sociais.

Em primeiro plano, é relevante apontar o modo que a facilidade do compartilhamento de informações impulsiona a violência e a justiça com as próprias mãos. Nesse sentido, são nítidas as consequências que a rapidez de transferência de publicações e notícias causam no que se diz a respeito do linchamento virtual. Por isso, com tal fator em vigência, informações como o perfil nas mídias sociais e o nome do acometido pela justiça relatada por Hobbes percorrem as redes dos internautas. Dessa forma, os indivíduos em questão se sentem na possibilidade de cometerem justiça com as próprias mãos, se iniciando assim a violência virtual, muitas vezes injusta, promovida pelo anonimato disponibilizado pela internet.

Dessa maneira, em segundo plano, se deve apontar a facilidade de indentificação anônima nas redes sociais. Nesse panorama, tal disponibilidade torna ainda mais fácil para os internautas praticadores do lichamento virtual a realização do ato, pois, com a falta de identificação, os indivíduos se vêem seguros para cometerem tais atitudes, tirando a função do Estado de realizar julgamento formalmente e sem a presença de violência.

Logo, medidas são necessárias para a mitigação da problemática. Por isso, é cabível ao Governo Federal, em parceria com o Ministério das Comunicações, a criação de leis de regulamentações midiáticas para que as redes sociais sejam utilizadas de forma benéfica para a vida em sociedade, tendo em vista a possibilidade de a internet ser usada para identificação de possíveis cometedores de atos infracionais à lei, passíveis de linchamento virtual, para que se tomem medidas cabíveis, assim como os praticantes da justiça com as próprias mãos. Dessa forma, havendo uma sociedade diferente da idealizada na frase de Hobbes.