Como a precarização das condições de trabalho impacta o crescimento econômico
Enviada em 03/09/2025
‘‘Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.’’ A frase de Marina Colasanti retrata como a coletividade tende a normalizar reveses socioeconômicos graves, como o impacto da precarização laboral na economia brasileira. Por isso, é essencial adotar ações para superar essa realidade, fruto da ineficiência estatal e do desemprego formal.
A princípio, é notória a inoperância institucional como propulsora desse cenário. De acordo com Nicolau Maquiavel, no livro ‘‘O Príncipe’’, os governantes devem priorizar o bem universal. Todavia, o poder público contraria o autor ao não promover estímulos para o mercado aumentar a demanda por funcionários e melhorar as condições de trabalho, a exemplo de incentivos fiscais. Em consequência disso, acentua-se o baixo crescimento econômico e a precarização trabalhista no território nacional. Em face disso, torna-se inadmissível que a postura improdutiva do Estado colabore com uma conjuntura que intensifica a desigualdade social.
Ademais, a dificuldade de se conseguir um emprego formal agrava a continuidade dessa crise trabalhista. Nessa lógica, a obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, de José Saramago, revela uma sociedade moralmente cega, definida pelo egoísmo e pela apatia social. Essa alienação moral se reflete na esfera profissional, uma vez que as exigências para contratação são cada vez mais excludentes como, por exemplo, requerer muitos anos de experiência ou indicações. Dessa forma, os candidatos preteridos ocupam cargos informais fora de sua área formativa ou permanecem desempregados. Diante disso, é indispensável a atuação do governo no amparo a esses indivíduos, para que sejam inseridos na população economicamente ativa do país.
Dessarte, alternativas são fulcrais para reverter esse quadro. Logo, cabe ao Ministério do Trabalho, guardião trabalhista, garantir condições laborais dignas, por meio de incentivos fiscais direcionados para melhoria de salários e a condição de que 25% do quadro de funcionários seja composto de inexperiêntes, a fim de que todos tenham oportunidade. Assim, essa fragilização da atividade profissional e da economia deixarão de ser normalizadas.