Como a precarização das condições de trabalho impacta o crescimento econômico

Enviada em 02/03/2025

A obra cinematográfica americana “O diabo veste prada”, mostra a protagonista em situações de trabalho precários sem necessariamente melhorar sua condição econômica. Ao transpor a ficção e analisar a atual conjuntura brasileira, a precarização das condições de trabalho não é algo incomum em solo nacional. Diante disso, convém analisar dois impactos econômicos causados por tal problema: o aumento da desigualdade social e a fuga de capital intelectual.

Em primeira análise, pode-se apontar a intensificação da desigualdade na sociedade como um dos principais impactos. Nesse contexto, John Rawls, expoente filósofo político do século XX, entendia que “desigualdades sociais e econômicas são obstáculos para equidade”. Sob tal perspectiva, nota-se que a precarização das condições de trabalho é um dos principais obstáculos para equidade, uma vez que, um trabalhador precarizado também é um trabalhador explorado por patrões que enriquecem cada vez mais. Desta maneira, enquanto não houver dignidade humana nas condições de trabalho, a igualdade será apenas um ideal.

Em segunda análise, a precarização do ambiente de trabalhista pode afastar intelectuais com potencial inovador. Neste cenário, o economista Joseph Schumpeter, cunhou o termo “destruição criativa”, que baseia-se no aspecto cíclico da inovação e do progresso científico e econômico. Todavia, uma sociedade que não valoriza o capital intelectual interno, está fadada a ver cada vez mais tal capacidade inovativa emigrar para outras regiões que ofereça melhores condições de trabalho. Neste sentido, uma nação que perde a competência para o progresso, certamente terá o crescimento econômico impactado.

Portanto, é necessário que o Governo Federal intervenha para as lacunas sociais diminuam, por meio de verbas destinadas ao Ministério do Trabalho para que seja feita uma fiscalização mais intensa nos postos de trabalho. Por sua vez, empresas voltadas a inovação científica devem fazer parcerias públicas-privadas para oferecer oportunidades atrativas para os pesquisadores nacionais, reduzindo a fuga do capital intelectual. Assim, os impactos no desenvolvimento econômico devido a precarização das condições de trabalho devem ser atenuados.