Como garantir as liberdades individuais na sociedade contemporânea?

Enviada em 20/11/2019

Publicado em 1930, Vou-me embora pra Pasárgada, um poema do livro Libertinagem, Manuel Bandeira contrapõe o espaço da utopia ao espaço da realidade e, indiretamente, critica uma civilização opressora e impregnada de falsos valores, o poeta por meio da fuga do espaço violento e conturbado, encontra a felicidade e a liberdade apenas de forma imaginária. Tal obra, converge substancialmente com realidade contemporânea, uma vez há entraves que garantam as liberdades individuas na sociedade. Diante disso, deve-se analisar como a violação de direitos fundamentais e a intolerância provocam tal problemática no país.

Convém ressaltar, inicialmente, que esse cenário é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Nesse sentido, conforme o filósofo Juger Habermas, o alcance do entendimento decorre da ação comunicativa, que consiste na capacidade de uma pessoa em defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, requerendo ampla informatividade prévia. Desse modo, caso os sujeitos não possuam um pleno conhecimento da realidade da qual estão inseridos e de como seu próximo pode desfrutar do bem comum, já que não há respeito à liberdade essenciais , eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Assim, a falta de liberdade de expressão, de pensamento e de ação – direitos pleno e fundamentais da cidadania – não pode ser admitida.

Paralelo a isso, a limitação da cidadania vinculada à intolerância por parte da sociedade vai de encontro a concepção do indivíduo pós-moderno. Isso porque, de acordo com o filósofo pós-estruturalista Stuart Hall, o sujeito inserido na pós-modernidade é dotado de múltiplas identidades. Sendo assim, as preferências e ideias das pessoas estão em constante interação, o que pode ser limitado pelos preconceitos raciais, religiosos, de gêneros, sociais, linguísticos, culturais, entre outros. Assim, a imposição de comportamentos e pensamentos igualitários a um padrão a ser seguido, sob julgamento por meio da sociedade em que vivemos criam uma falsa sensação de livre-arbítrio e tolhe os múltiplos interesses e identidades que um sujeito poderia assumir.

Torna-se evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que garantam as liberdades individuas na sociedade. Dessa forma, é necessário que instituições formadoras de opinião - como escolas, universidades e famílias socialmente engajadas - promovam debates amplos e constantes acerca da importância de garantir o respeito às diferenças de opinião, pensamentos e de escolhas, por meio de palestras com a participação de psicólogos e especialistas, de diálogos nos lares e em ambientes educacionais, possibilitando uma reflexão e conscientização, desde a infância, quanto a necessidade de garantir todos os direitos inerentes à liberdade.