Como garantir as liberdades individuais na sociedade contemporânea?
Enviada em 19/08/2020
A Constituição Federal garante aos brasileiros a dignidade da pessoa humana. Todavia, na prática, é evidente a ausência desse princípio quando se observa a padronização da sociedade no Brasil. Nesse contexto, não há dúvidas de que esse mal é um desafio social, o qual ocorre devido não só às diferenças sociais, mas também ao desenvolvimento tecnológico.
Vale destacar, de início, que uma das principais motivações para essa questão são as diferenças sociais. Isso porque, no Brasil, apesar de ser um Estado laico, há uma “adequada” cultura que a sociedade deve seguir, caso contrário sofrerá violência física e até perda da sua própria identidade. Basta ver o caso da garota de 11 anos de idade, a qual foi apedrejada por evangélicos quando saia de um culto candomblecista, em 2015, no Rio de Janeiro – RJ, cenário parecido com o que ocorria durante os rituais da Santa Inquisição, século XIII, na Idade Média. Nesse âmbito, tais discriminações acarretam problemas psicológicos, já que 70% dos que sofrem algum tipo de intolerância são obrigados a mudarem de personalidade, bem como a viverem dentro de conceitos padronizados pela maioria.
Faz–se mister, ainda, salientar o desenvolvimento tecnológico como impulsionador do tema. Visto que nas mídias sociais circulam inúmeras pessoas jovens e magras, características ideais para os “padrões de beleza” atual. Consequentemente, cerca de mais da metade da população brasileira, hodiernamente, prendem-se aos parâmetros de simetria moderna, e ao espelho social, o que gera obsessão em atingirem a boa aparência por meio de dietas da moda e rotinas intensas de exercícios físicos, conforme dados do UOL, em 2020. Em razão disso, tal setor da sociedade não conseguem flutuar entre a diversidade e a multiplicidade, sem perderem a própria identidade, já que estão retidos às opiniões de massa, tanto quanto dominados pelos reflexos e imagens de uma sociedade convencional, motivos os quais ferem a dignidade da pessoa humana.
Portanto, com o intuito de evitar a perda da individualidade do cidadão no Brasil, o Ministério da Educação deve promover ações mais inerentes à realidade social, por meio das escolas, em que professores farão aulas sobre as diferenças culturais, tal como a importância religiosa para cada povo, com o objetivo de proporcionar aos alunos empatia e respeito àqueles que pensam diferente da maioria. Por outro lado, o Ministério da Saúde deve investir em campanhas relativas ao valor da autoaceitação, por intermédio de psicólogos, os quais irão ajudar a população a impedirem que sua autoimagem seja distorcida pelo espelho social disseminado nas mídias coletivas, com a finalidade de permitir melhor higidez e bem-estar àqueles que necessitam. Destarte, a sociedade desfrutará da igualdade de direitos garantidos conforme a Carta Magna.