Como garantir que a 4a meta do milênio = reduzir a mortalidade infantil seja alcançada

Enviada em 06/04/2020

O filme “Crianças Invisíveis”, de 2005, apresenta a realidade precária de diversos jovens ao redor do mundo, explorando, sobretudo, a questão da mortalidade infantil. Nesse tocante, o desenvolvimento científico, o qual culminou na criação de antibióticos, de vacinas e de melhores condições de higiene, contribuiu, sensivelmente, com o combate àquela problemática. Não obstante os avanços da ciência, os índices relativos à mortalidade infantil, no Brasil hodierno, ainda são preocupantes, tendo em vista não só a negligência governamental no combate a esse impasse, mas também a exposição desse público a condições nocivas de violência e de abuso. Acerca dessa lógica, tal cenário suscita a ação mais contundente do Poder Público e dos agentes sociais, a fim de confrontar esse entrave.

Nessa conjuntura, é pertinente salientar que as ações governamentais, no enfrentamento à mortalidade infantil, são insuficientes, propiciando, dessa forma, a manutenção desse panorama adverso. Sob essa óptica, consoante a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil registra uma taxa de 15,9% de óbitos a cada mil nascimentos, em detrimento dos países desenvolvidos, cuja média é de apenas 0,3%. Nesse sentido, a negligência estatal, frente à problemática da mortalidade infantil, implica condições precárias do Sistema Único de Saúde (SUS), o qual se torna incapaz de atender eficazmente neonatos e crianças. Destarte, urge que o Estado adote medidas voltadas para a melhoria das condições de acesso do público infanto-juvenil à saúde.

Outrossim, é lícito ressaltar que a mortalidade infantil, no país, é perpetuada em decorrência das situações de agressividade às quais muitas crianças são expostas. Nessa perspectiva, em 2014, Bernardo Boldrini, um menino de 11 anos, foi assassinado, no Rio Grande do Sul, pelo pai e pela madrasta, os quais ocultaram o cadáver do garoto, fazendo com que o crime tomasse repercussão nacional. Desse modo, a recorrência da violência infantil promove valores socioculturais caracterizados pela banalização da crueldade contra tal grupo populacional. Faz-se premente, pois, que os agentes sociais atuem no combate aos atos violentos contra crianças, visando à mitigação desse cenário.

À luz dessas considerações, medidas são fulcrais a fim de amenizar esse entrave. Dessa forma, é crucial que o Governo Federal propicie a qualificação do SUS, mormente, no que tange ao atendimento de recém-nascidos e de crianças, por intermédio da contratação de novos médicos pediatras, a qual é possibilitada pela realização de concursos públicos, com o fito de combater mais ativamente a mortalidade infantil. Ademais, é essencial que a mídia aborde, nas telenovelas, a temática da violência infantil, com o escopo de atenuar as implicações deletérias desse tipo de crime. Assim sendo, com essas providências, será possível evitar a perpetuação da realidade do filme “Crianças Invisíveis”.