Como lidar com o medo atômico?

Enviada em 14/09/2020

O Dr. Bruce Banner, personagem dos quadrinhos da Marvel, é um cientista norte-americano responsável pela produção de uma potente bomba de raios gama. No entanto, em um de seus testes, para salvar um civil que se aproximava do local de explosão, Banner é atingido pela radiação, dando origem ao célebre herói Hulk. Apesar de ficcional, o risco trazido pela tecnologia nuclear é de altíssimo. Tal panorama, forja a sensação de medo constante sendo necessário o debate sobre a dicotomia dos benefícios e malefícios da utilização desse recurso, visando lidar com esse medo.

Sob esse viés, vale destacar, a princípio, a importância do desenvolvimento tecnológico, sobretudo à nível nuclear. Acerca disso, a modernização da ciência tem viabilizado o uso do bombardeamento de núcleos atômicos de Urânio ou de Hidrogênio, para a geração de energia elétrica. Tal fonte energética além de mais eficaz, pode ser a alternativa para a substituição do uso de Petróleo e do Carvão Mineral – principais matrizes mundiais – que prejudicam o ecossistema devido a emissão de gases estufas. Depreende-se, portanto, a vantagem do recurso nuclear para a mitigação dos problemas energéticos e, dessa forma, sua indispensabilidade para o desenvolvimento sustentável.

Por outro lado, devido ao contexto histórico de atrocidades ampliadas com a inteligência nuclear, muitos cidadãos sentem-se ameaçados pelos riscos atômicos eminentes. Seguindo esse raciocínio, a partir do século XX, com o início da Guerra Fria, intensificou-se a intimidação bélica sob a população global. Esse medo de extermínio a qualquer momento subjugou as nações aos desígnios das duas potências em ascensão. Hodiernamente, devido à falta de democratização da informação acerca dos benefícios da tecnologia nuclear, supracitados, a sensação de ameaça persiste e muitas vezes é utilizada, assim como outrora, para tornar as nações eternos vassalos das potências vigentes.

Destarte, é imperioso alternativas que minimizem o impasse. Para tanto, urge que a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e a Cultura, promovam debates e disponibilizem para a população mundial, por meio das redes sociais dos órgãos ministeriais de cada país, para que assim a população esteja bem orientada sobre os riscos e os limites do uso dessa tecnologia, mas também, tendo em vista a importância dos recursos nucleares para o ecossistema, desconstruir o estereótipo do caos construído historicamente no imaginário mundial. Dessa maneira, será possível enfrentar a insegurança ocasionada pelo medo atômico.