Como lidar com o medo atômico?
Enviada em 10/08/2021
A música “Rosa de Hiroshima”, interpretada por Ney Matogrosso, retrata as horríveis consequências dos desastres atômicos de Hiroshima e Nagasaki, ao fim da Segunda Guerra Mundial. Analogamente, na sociedade atual, o desenvolvimento de tecnologias nucleares é extremamente avançado e, assim, torna-se perceptível no corpo social o receio relacionado a elas, por estas apresentarem uma constante ameaça à vida. Sob esse viés, nota-se que uma das principais causas desse óbice é a relativização da empatia nas relações sociais, consequência da ganância humana, que associada ao constante temor de uma nova catástrofe, corrobora para a persistência desse problema na rotina das pessoas.
Convém ressaltar, a princípio, que o “medo atômico” não é algo recente no cotidiano dos indivíduos. À vista disso, tem-se como exemplo o período da Guerra Fria, tensão geopolítica em que as duas maiores potências mundiais da época, Estados Unidos e União Soviética, iniciaram uma disputa pelo controle e maior desenvolvimento de diversos âmbitos, sendo um dos principais o militar, resultando na corrida armamentista. Sendo assim, com o avanço dos armamentos atômicos, a preocupação com uma possível catástrofe nuclear tornou-se parte da vida da população mundial.
Outrossim, os seres humanos, em busca do maior poder possível, seguem aprimorando seus armamentos e realizando testes desumanos, atingindo, por vezes, áreas povoadas, demonstrando cada vez menos empatia pelo outro. Dessa forma, consoante à obra “Cegueira Moral”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a negligência moral intensifica-se na sociedade, normalizando atos insensíveis e tornando a indiferença ao próximo algo habitual, isto é, a ganância humana em busca de superioridade reconsidera a importância da vida, relativizando barbaridades. Assim sendo, conscientes do egoísmo das elites, o iminente risco de uma nova tragédia atômica desperta o medo nas pessoas, fazendo-as temer por sua vida a todo momento.
Diante do exposto, com o fito de mitigar a problemática, impende a Organização das Nações Unidas (ONU) o desenvolvimento e renovação de tratados que busquem a diminuição da produção e financiamento de armamentos nucleares, além da fiscalização dos já existentes, objetivando um maior controle da posse e restrição do poder das potências. Ademais, também por intermédio da ONU, os líderes mundiais devem estabelecer limites e acordos para garantir maior segurança e bem-estar aos cidadãos, para que haja o abrandamento do medo presente neles. Desse modo, o imbróglio poderá ser atenuado e, dissemelhantemente ao retratado na música de Ney Matogrosso, os lideres mundiais poderão garantir á população uma maior segurança.