Como lidar com o medo atômico?
Enviada em 07/08/2021
Clives Staples Lewis, escritor e professor inglês, retrata, no livro “Cartas de um diabo ao seu aprendiz”, possíveis condições psicológicas decorrentes do temor frente à Segunda Guerra Mundial em um jovem de vinte anos, o qual desenvolve um quadro de ansiedade e, após uma série de questionamentos acerca do futuro, isola-se física e emocionalmente. Observa-se, nesse sentido, a aproximação entre o exposto por Lewis e a realidade brasileira hodierna à medida em que essa, semelhantemente àquela, revela indivíduos receosos quanto ao “perigo atômico” — não obstante a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) — e desamparados pelo Estado, de modo a causar diversos malefícios. Urge, assim, a análise da conjuntura, no intuito de propor uma solução viável.
É tácito, diante desse cenário, inferir a importância da ONU na manutenção da paz mundial e dos direitos humanos. Sob esse ângulo, a Carta das Nações Unidas — documento que rege a organização e ao qual estão sujeitos todos os países-membros — afirma a resolução de conflitos por intermédio da diplomacia, isto é, abstendo-se de intervenções baseadas no uso da força, de forma a não comprometer a segurança internacional. É notável, entretanto, o descumprimento das premissas presentes na Carta, haja vista a recorrente oposição armada entre nações como Palestina e Israel — ambas com considerável poder bélico — e os ataques da Turquia aos curdos. Tais fatos evidenciam as falhas da ONU no monitoramento de seus membros, ocasionando uma descrença generalizada da população na possibilidade de evitar uma guerra. Por conseguinte, tem-se um aumento dos níveis de ansiedade cidadãos, os quais ficam submetidos à incerteza da eclosão de um confronto nuclear.
Outrossim, cabe pontuar a relevância do descaso estatal no tangente ao medo atômico. Nessa perspectiva, o jurista inglês William Blackstone afirmou que o principal objetivo das instituições sociais é proteger o homem no cumprimento de seus direitos. Logo, ao considerar o proposto por Blackstone, torna-se explícito que a negligência do Estado — maior instituição social — perante à situação psicológica enfrentada pelos brasileiros configura-se como uma trangressão dos deveres daquele, dado o fato de a saúde ser responsibilidade estatal e um direito assegurado pela Constituição Federal. Dessa maneira, os indivíduos não recebem o devido acompanhamento e têm suas condições agravadas.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas mitigantes para a problemática. Diante disso, o Ministério da Saúde deve promover o tratamento de transtornos mentais, em especial a ansiedade, por meio de um maior direcionamento de verbas à contratação de profissionais de saúde capacitados para o atendimento adequado de pacientes, a fim de minimizar os efeitos psicológicos do “medo atômico”. Isto feito, o Brasil poderá, num futuro próximo, ser um país com melhores índices de saúde.