Como lidar com o medo atômico?
Enviada em 09/08/2021
No filme “Wolverine: Imortal”, estrelado por Hugh Jackman, são denunciados os efeitos causados pela detonação das bombas nucleares nas cidades japonesas, Hiroshima e Nagasaki. Essa alegoria artística transpõe as telas e volta a atormentar a atual população mundial. Nesse sentido, as instáveis relações internacionais, geradas pela fragilização das instituições socais, além do descaso de todas as esferas da sociedade são fatores que fomentam a manutenção do medo atômico. Dessa forma, faz-se necessária a discussão acerca da problemática para a permanência da ordem social.
Nesse viés, é válido analisar como o enfraquecimento das instituições sociais atua como causa da adversidade. Posto isso, conforme o sociólogo Émile Durkheim, com a fragilização das instituições, instaura-se a anomia social - definida como condição em que as normas e as regras sociais apresentam-se frágeis ou ausentes -. À vista disso, ao observar que os regulamentos são ineficientes na manutenção da ordem e paz do mundo, muitos indivíduos, até mesmo nações inteiras, colocarão seus desejos acima de todos, perdendo, assim, seu sentimento de pertencimento a uma comunidade e expressando comportamentos individualistas, os quais anulam a possibilidade de existência de uma sociedade integrada e coesa. Logo, caso permaneça o incentivo ao armamento nuclear, haverá um agravamento da anomia social durkeimiana, configurada como a instabilidade geopolítica mundial, o que distanciará, ainda mais, o bom desenvolvimento do planeta.
Outrossim, outro fator a mencionar é a inércia de todos os âmbitos da sociedade frente ao quadro. De acordo com o filósofo Hans Jonas, é responsabilidade do ser humano a conservação da harmonia entre o meio que o circunda e suas ações. Entretanto, rompe-se com tal lógica ética ao verificar que a desordem e insegurança causadas pelo medo atômico apenas aumentam, sem que alguma esfera do corpo social se expresse diretamente sobre o cenário. Ocorre, portanto, um descaso por parte de todas as instituições sociais, uma vez que não há debates tão recorrentes sobre a temática, além da inexistência de acordos eficientes e bem estruturados que fiscalizem e controlem a utilização de atividades radioativas como armamentos.
Por conseguinte, é notório que o medo atômico é uma temática que merece atenção para a construção de uma humanidade mais ordenada e pacífica. Assim sendo, cabe a Organização das Nações Unidas promover um maior engajamento dos países ao problema, por meio da organização de plenários regulares para a discussão sobre utilização de atividades nucleares, tanto na geração de energia quanto em armamentos, a fim que alcançar uma humanidade mundial coesa. Dessa forma, espera-se que o passado revivido em “Wolverine: Imortal” não se transponha para o presente.