Como lidar com o medo atômico?

Enviada em 09/08/2021

Desde a Segunda Guerra Mundial, as populações precisam lidar com o receio de armamentos nucleares, visto que os impactos afetaram a vida de inocentes por várias gerações. Não obstante, a Corrida Armamentista intensificou as tensões a respeito do domínio de armas radioativas, além dos acidentes nucleares ocorridos nas décadas seguintes. Contudo, o desenvolvimento de energia nuclear está estagnado devido ao medo atômico e à falta de financiamento. Desse modo, é fundamental tomar medidas cabíveis para atenuar a problemática.

Nesse viés, é válido destacar as raízes históricas da apreensão nuclear. Em 1945, Truman, o então presidente dos Estados Unidos, após a rendição da Alemanha, bombardeou as cidades japonesas Hiroshima e Nagasaki, destruindo ambas completamente. A partir de então, o medo da radioatividade foi instaurado - as vítimas sofreram preconceito e segregação, pois a população não quis ser “contaminada” pela radioatividade remanescente nos afetados. Dito isso, Michel Foucault, em sua obra “Microfísica do Poder”, afirma que a coesão da sociedade advém de uma rede de discursos utilizados para controlar as maneiras de pensar e agir. Relacionando o pensamento do filósofo ao cenário hodierno, compreende-se que a rejeição à energia nuclear foi um discurso enraizado e impacta o aperfeiçoamento da produção de energia limpa. Sendo assim, é necessária a mudança de paradigmas.

Vale ressaltar, ainda, a ausência de incentivos fiscais necessários para a constância das pesquisas. Entende-se que o aquecimento global é agravado pela emissão de gás carbônico, majoritariamente proveniente da queima de combustíveis fósseis. Apesar do alto custo-benefício dessa matriz energética, esta é imensamente maléfica para o meio ambiente, sendo uma das alternativas a energia nuclear, negligenciada pelas altas despesas para sua manutenção. Segundo Émile Durkheim e a sua teoria do “corpo biológico”, as partes integrantes da sociedade devem exercer suas funções visando a coesão. Logo, conclui-se que para diminuir as consequências das mudanças climáticas, são imprescindíveis as pesquisas científicas acerca dos reatores nucleares.

Em suma, percebe-se que o medo atômico precisa ser superado para o avanço da ciência. Portanto, cabe aos líderes mundiais uma reunião de ideias, por meio de uma conferência ambiental, visando o estabelecimento de metas referentes à energia nuclear. Além disso, convém ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Informações destinar verbas para a Comissão Nacional de Energia Nuclear, a fim de incentivar a pesquisa científica no país. Dessarte, com a realização destas medidas, será possível desfrutar de um cenário no qual a insegurança a respeito da radioatividade é diminuta.