Como lidar com o medo atômico?
Enviada em 09/08/2021
Na obra “Notícias de lugar nenhum”, do escritor inglês William Morris, é retratada uma sociedade diligentemente informada, cujo corpo social se padroniza pela objetivação do bem comum. Contudo, observa-se, na contemporaneidade, o oposto do pregado pelo autor, uma vez que o medo atômico expõe obstáculos que dificultam a realização dos planos de Morris. Esse cenário contrastante é fruto não só da ideologia estruturada pela mídia cultural, mas também da falta de conhecimento da população sobre o assunto.
Nesse contexto, é interessante salientar as mídias culturais, como filmes e histórias em quadrinhos, como promotoras do medo atômico difundido na sociedade. A esse respeito, segundo os sociólogos Adorno e Horkheimer, em sua ideia da industria cultural, a mídia tem o poder de padronizar uma informação e “torná-la verdade” para os sujeitos. Sob essa óptica, inegavelmente, a propagação excessiva e fantasiosa de eventos e contextos nos meios de comunicação colaboram para o medo presente, uma vez que a industria cultural gera uma alienação de ideias, a qual descaracteriza o mundo real e produz uma nova visão de mundo, baseada em fatos mostrados de forma dramática em filmes, séries e livros. Assim sendo, é importante o fortalecimento do senso crítico da população, visando amenizar o sentimento de medo.
Ademais, é importante destacar que o medo atômico persite devido ao pouco conhecimento da sociedade sobre o assunto. Acerca dessa premissa, de acordo com Francis Bacon, filósofo empirista, o conhecimento é a verdadeira forma de poder, pois é com ele que se adquire a autonomia de pensamento. Dito isso, é certo afirmar que a desinformação sobre o assunto, como conhecimentos químicos e do contexto geopolítico atual, auxilia a permanência do medo, dado que, na ausência do conhecimento, as pessoas ficam indefesas, por não apresentarem um grau de autonomia crítica para rejeitar informações fantasiosas e descontextualizadas do cenário real, presentes na industria cultural e no senso comum, o que gera receios. Desta forma, é necessário o papel da educação no combate à insegurança gerada pela tecnologia atômica.
Logo, medidas são necessárias para minimizar o temor gerado pela situação descrita, Portanto, compete às instituições educacionais informarem, por meio de aulas, nas áreas da Geografia e da Química, sobre a ciência comprovada da das bombas e utensílios atômicos e o contexto geopolítico atual em que se enquadram, objetivando promover o conhecimento para fortalecer o senso crítico dos indivíduos, possibilitando menos insegurança e fulga da alienação imposta pela industria cultural. Assim, a sociedade brasileira poderá alcançar a sociedade progressista citada por Morris.