Como lidar com o medo atômico?

Enviada em 09/08/2021

No poema “A rosa de Hiroshima”, o poeta Vinícius de Moraes expressa seu protesto contra o uso das bombas atômicas no fim da Segunda Guerra Mundial, causadoras da destruição de duas cidades e da morte de milhares de cidadãos. Paralelo à literatura, a socidedade contemporânea ainda teme o uso de meios relacionados ao setor nuclear, uma vez que pouco se conhece acerca dos seus benefícios e representa o risco de uma guerra atômica de caráter catastrófico para a população. Dessa maneira, faz-se essencial a análise das razões desse medo presente no corpo social hodierno.

No que tange aos benefícios, são mínimos os conhecimentos acerca das vantagens no uso do setor nuclear. Nesse ínterim, acidentes de caráter atômico como os ocorridos nas usinas de Chernobyl e Fukushima que desencadearam na morte de pessoas, na contaminação das aréas próximas à fábrica e no resquício de resíduos tóxicos tornaram-se amplamente conhecidos e espalhados pela mídia ao longo dos anos. Assim, a sociedade hodierna ao ser questionada acerca dessa área, apenas a reconhece como danosa à saúde e ao bem-estar coletivo,o que aumenta o temor e impede a divulgação de vantagens advindas do estudo da nucleoatividade como a radioterapia e o raio-x. Logo, é fulcral a desconstrução desse imaginário para que se molde uma visão mais realista do uso dessa fonte.

Ademais, é necessário destacar o poder bélico de destruição no uso das bombas atômicas. Nesse sentido, a Guerra Fria representou para a população mundial um período de medo sem fim, pois a constante ameaça da iminência de uma explosão pelas potências dominantes era constante. Com isso, mesmo após o fim desse peíodo, a sociedade continuou receosa acerca dessas fontes, as quais com a ajuda das tecnologias tornaram-se mais desenvolvidas e o acesso menos limitado. Nessa linha de raciocínio, a filósofa Hannah Arendt afirma em sua teoria da “Banalização do Mal” que a não tomada de resoluções para um problema acaba por normalizá-lo, ou seja, a não fiscalização dos orgãos mundias permitiram o avanço desse meio. Desse modo, é fundamental a mobilização dos responsáveis para garantir a segurança populacional.

Infere-se,portanto,as razões ligadas ao temor relacionado ao setor atômico. Isso posto, cabe aos governos mundias investirem no deselvolvimento seguro das áreas nucleares ligadas à saúde com projetos que tragam a participação da sociedade para estudar e conhecer mais sobre essa outra faceta da nuclearidade com objetivo de diminuir o medo concernente a ela. Além disso, é dever da ONU garantir a continuidade da segurança mundial por intermédio da fiscalização com visitas de fiscais anuais em locais que estejam trabalhando com usinas nucleares com intuito de impedir a proliferação da construção de bombas. Com isso, poemas semelhantes ao de Vinícius não serão escritos no futuro.