Como o planejamento urbano pode garantir cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis

Enviada em 25/09/2026

A urbanização brasileira ocorreu de forma acelerada e marcada pela desigualdade no acesso à moradia e à infraestrutura. Nesse sentido, o geógrafo Milton Santos evidencia que o espaço urbano é produzido de maneira desigual, fazendo com que os benefícios da modernização não sejam igualmente distribuídos. No Brasil, essa realidade contribui para a formação de áreas periféricas com serviços públicos insuficientes. Assim, a desigualdade socioespacial e a precariedade urbana dificultam a construção de cidades inclusivas, seguras e sustentáveis.

Em primeiro lugar, a desigualdade no acesso à terra e à moradia contribui para a segregação socioespacial. Após a abolição da escravidão, a população negra não recebeu condições suficientes para sua integração social e econômica, enquanto o acesso à propriedade permaneceu restrito. Com o crescimento das cidades, parte da população de baixa renda passou a ocupar áreas afastadas e pouco estruturadas. Dessa forma, conforme a análise de Milton Santos, a organização desigual do território também limita o acesso a serviços, transportes e equipamentos públicos.

Além disso, a precariedade da infraestrutura aumenta a vulnerabilidade dessas comunidades. A ausência de saneamento, drenagem e pavimentação, por exemplo, favorece problemas ambientais e dificulta a mobilidade. Em períodos de chuvas intensas, essas áreas tornam-se mais suscetíveis a alagamentos. Portanto, é necessário promover a urbanização integrada desses locais, com a melhoria da infraestrutura e dos serviços públicos.

Logo, cabe às prefeituras, em parceria com os governos estaduais e federal, promover a urbanização integrada de áreas precárias, por meio de planos que identifiquem déficits de saneamento, mobilidade e drenagem. Além disso, os municípios devem ampliar políticas habitacionais para famílias que vivem em áreas de risco, garantindo moradias adequadas quando necessário. Essas medidas, com participação dos moradores, devem reduzir a segregação socioespacial e favorecer cidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.