Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?

Enviada em 27/04/2022

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão das uniões matrimoniais se tornarem descartáveis. Com isso, as principais motivações para essa situação na realidade brasileira são: o individualismo, além da busca de prazeres instantâneos.

Convém ressaltar, a princípio, que a falta de empatia é um fator determinante para a persistência do problema. Nesse sentido, na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. Nessa ótica, a tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange as razões que tornaram os casamentos descartáveis. Assim sendo, os seres atuais perderam o senso de companheirismo e afeição, pilares fundamentais dentro de uma relação sólida, ou seja, as pessoas estão cada vez mais preocupadas consigo e acabam deixando de lado os indivíduos ao seu redor. Desse modo, medidas são necessárias para reverter essa situação.

Outrossim, a busca por felicidades momentâneas ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Nessa perspectiva, de acordo com o Hedonismo, o prazer é o bem supremo da vida humana. Entretanto, essa procura por satisfação imediata caracteriza-se como um agravador na questão da irrelevância dos casamentos, atuando fortemente em sua base. Assim, a falta de um planejamento racional e menos imediatista de uma relação impede que o problema seja resolvido,podendo, inclusive, trazer consequências que agravam a problemática.

Portanto, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia nas relações para o enfrentamento da insignificância dos casamentos atuais.Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do ensino médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente nos matrimônios.