Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?

Enviada em 04/05/2022

“Até que a morte nos separe” é uma expressão muito usada em votos matrimoniais, e era levada de modo literal no passado. Algumas vezes por amor, mas outras várias vezes por burocracia no processo de divórcio ou por pressão social sobre o casal e, principalmente, sobre a mulher. Com o passar do tempo e com a mutação da sociedade, os casamentos vêm se tornando descartáveis e efêmeros.

Anteriormente, a liberdade do casal para decidir o futuro do matrimônio não era plena. Era necessário que se comprovasse conduta desonrosa do cônjuge diante do juiz, o que gerava muita discussão, tornando o processo demorado e desgastante para ambos os lados. Além disso, hoje, entra-se direto com o pedido de divórcio, e antes solicitava-se a separação jurídica, para só dois anos depois ter o divórcio concedido.

Assim também, a pressão exercida pela sociedade na vida pessoal dos cidadãos daquela época contribuia para a longevidade forçada de uniões. No passado, a mulher que não se casava ou que se divorciava era vista de maneira pejorativa, como pode-se perceber no romance de José de Alencar, “Senhora”. Na obra a personagem Aurélia, uma moça rica e orfã, decide casar-se por conveniência, para que seja melhor aceita pela sociedade. Apesar do livro ser uma ficção, retrata a realidade que o autor observava na sua época.

Em suma, pode-se concluir que a modernidade trouxe maior liberdade e facilidade para sair de um casamento infeliz. Entretanto, os números de famílias desfeitas é alarmante e precisa ser solucionado. Por isso, é necessário que a família, por meio de conversas francas, conscientize os jovens sobre a importância de ter calma e sabedoria ao escolher a pessoa com quem vão se casar, para que a uniões não sejam decisões apressadas e mal pensadas. Assim, o número de divórcios irá diminuir e os casamentos serão duradouros, mas pelos motivos certo. Desse modo, o voto “até que a morte nos separe” será uma promessa e não uma sentença.