Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?

Enviada em 05/05/2022

Entre os versos: “Fala que tá namorando e casa semana que vem”, a dupla sertaneja Jorge e Mateus, trata, para além do romantismo, da celeridade com a qual as relações se formam. Nesse sentido, o dividir a vida com o outro passa a ser movido por um sentimento efêmero e que, em muitos casos, torna-se inconsistente e frágil. Nesse viés cabe analisar a causa e a consequência dessa realidade, a citar o imperativo uma sociedade materialista e individualista e a superficialidade das relações sociais.

Em primeira análise, é perceptível que a atualidade vivencia o embate de a instituição do matrimônio está alirceçada na dinâmica das relações de uma sociedade materialista e individualista. Posto isso, é importante retormar os estudos do sociólogo polonês, Zingmunt Bauman, o qual defendeu a ideia de uma sociedade líquida, caracterizada pela rapidez e fluidez com que as relações sociais são feitas e desfeitas, isso, em decorrência de uma postura do indivíduo que percebe o outro como um objeto, o qual está sujeito ao descarte. Dessa forma, a análise de uma sociedade pautada na fragilidade das relações sociais evidência essa dinâmica como causa do instabilidade de muitos casamentos.

Outrossim, é coerente pensar que a liquidez das relações tem como reflexo a incapacidade de perceber o parceiro dentro do relacionamento, o que evidência a superficialidade dos laços estabelecidos. Nesse viés, a cantora e compositora, Marília Mendonça, trata dessa realidade nos versos: “Você virou saudade aqui dentro de casa, se eu te chamo pro colchão, você foge pra sala e nem se importa mais saber o que eu sinto”, ou seja, o casal paradoxalmente se propõe a compartilhar a vida, mas se faz incapaz de perceber o outro e se colocar no lugar dele.

Portanto, é urgente que o indivíduo busque compreender que o relacionamento se faz no respeito e na percepção do outro, por meio do estabelcimento de relações mais sólidas, consistentes e verdadeiras, a fim de que, liberto de uma postura materialista e indivudualista, seja capaz de fazer do casamento uma instituição de companheirismo e amor, assim como saiba, de forma autrísta e empática, dividir sua vida com o parceiro(a).