Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?
Enviada em 09/05/2022
O drama asiático “Amor, Casamento e Divórcio” discorre sobre as rupturas das relações familiares em uma sociedade marcada pela hipocrisia e pela influência do patriarcado. Assim como na ficção, ocorrem separações, mas é incorreto afirmar que os casamentos do século XXI se tornaram descartáveis, pois é preciso analisar mais profundamente os fenômenos envolvidos nessa questão. Analisam-se, por-tanto, os impactos desse conflito no Brasil.
Primeiramente, sabe-se que o casamento é uma instituição fundamentalmente moral. Nesse viés, a família e a Igreja desempenham a importante função de influenciar os indivíduos a manterem a relação eternamente, visando a gerar des-cendentes. O Estado, por sua vez, oficializou o direito ao registro sem uma preo-cupação ética a respeito dessa prática civil. Nessa ótica, o sociólogo Émile Durk-heim definiu o casamento como um “Fato Social”, que é uma ação praticada de forma coercitiva, e não pelo desejo natural. Logo, tal obrigação se torna um pro-blema para os cidadãos brasileiros.
À vista disso, constata-se que o aumento no número de separações no Brasil, conforme apontado pelo IBGE, é reflexo de uma ruptura com a ordem vigente. Há pessoas que são forçadas a permanecer em relações problemáticas e, com isso, sofrem. Salienta-se, ainda, que a separação é uma forma de combate às estruturas de violência que ocorrem em muitos lares e que são, muitas vezes, reforçadas pelos agentes supracitados - a exemplo do silenciamento das mulheres que su-portam abusos. O filósofo Platão afirmava que “o importante não é viver, mas viver bem.” Assim, a dissolução dos casamentos no século XXI não deve ser vista como o descarte dos valores tradicionais, mas como uma forma de buscar felicidade.
Dessa forma, medidas de conscientização devem ser adotadas. É, portanto, dever do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos - órgão estatal res-ponsável pelas políticas de defesa da cidadania -, por meio de uma articulação com empresas privadas de comunicação, promover campanhas didáticas e reflexivas sobre o direito ao divórcio, com o fito de mitigar o estigma a respeito dessa prática no Brasil. Desse modo, combater-se-á o preconceito através do diálogo, assim como propõe o drama “Amor, Casamento e Divórcio.”