Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?

Enviada em 12/05/2022

Há algumas décadas, a falta de uma união matrimonial era motivo de má falação e má fama, especialmente para as mulheres. Contudo, com o casamento deixando de ser uma definição de caráter aos olhos da sociedade com o passar do tempo, os divórcios se tornaram cada vez mais recorrentes, deixando o matrimônio como uma união descartável.

Em primeiro plano, é necessário destacar que em um passado não tão distante, as mulheres eram tratadas como troféis, sendo designadas a servirem todas as vontades de seus maridos, sem terem o poder de dizerem não à eles, tendo assim que aturarem violência dentro de suas próprias casas. Todavia, com as mulheres conquistando mais direitos, tornou-se possível para elas buscarem rotas escapatórias de maridos violentos, recorrendo ao divórcio, que é concedido à todos por lei, descartando assim, para o seu bem, casamentos conturbados.

Ademais, a pouca profundidade das relações também reflete na separação de casais. O conceito de modernidade líquida, proposto pelo filósofo Zygmunt Bauman, fala sobre como os relacionamentos na sociedade atual são banais e maleáveis. Trazendo tal pensamento para o conceito da união conjugal, é quase que inevitável que essa união se quebre antes de se aprofundar o suficiente para ser estável, uma vez que é mantida - por pouco tempo - por conveniências.

Portanto, é visto que tornar as relações banais é uma característica do século, e que para abrandá-la, é imprescindível que a própria sociedade busque maneiras de enraizar tais relacionamentos, através da ajuda de profissionais da psicologia que busquem promover terapias de casais aos que estão decidindo se recorrerão ao matrimônio. Ademais, é preciso que o poder público ofereça campanhas midiáticas incentivando as vítimas de violência doméstica a fazerem denúncias, as incentivando ao pedido de divórcio. Só assim poder-se-á haver a diminuição no descarte dos casamentos.