Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?
Enviada em 16/05/2022
No filme israelense de 2014, O Julgamento de Viviane Amsalen, é contada a história de uma mulher que perdeu o amor pelo marido, mas se vê impedida de ter um divórcio devido às leis ultrareligiosas de seu país que a enxerguam como propriedade dele. Saindo de Israel examinando-se o Brasil atual, pode-se perceber inúmeras semelhanças entre o eventos do filme e a situação da mulher brasileira. Assim torna-se fulcral examinar o papel do divórcio numa época em que as desvantagens do casamento se tornam mais visíveis.
Em primeiro plano, deve-se destacar que em casamentos disfuncionais o divórcio se torna um mecanismo de felicidade. Isso se deve ao fato de, em um país como o Brasil com uma forte cultura religiosa, a errônea associação entre o casamento e a felicidade se mostra enraizada na consciência coletiva, gerando uma demonização do status de solteiro que pressiona os indivíduos a entrarem e se manterem em relacionamentos de aparência que não suprem as necessidades emocionais individuais das pessoas. Prova de que casamento não garante felicidade é vista na série Sense8, na qual a personagem Kala se afunda lentamente em depressão apesar de ter uma vida feita e um marido atencioso.
Em segunda análise, resalta-se que uma separação garante, em inúmeros casos, uma qualidade de vida muito mais saudável. Esse fato ocorre devido ao número absurdo de casos de violência doméstica física, sexual e emocional em casamentos abusivos que comprometem a dignidade, a vida, a integridade física, a saúde mental, e o controle da mulher brasileira sobre o próprio estilo de vida. Um exemplo disso pode ser observado no livro O Poderoso Chefão de Mario Puzzo quando a personagem Connie é espancada quase até a morte pelo marido enquanto estava grávida.
Em conclusão, nota-se a necessidade da extinção da romantização do casamento. Para isso é requerida a atuação do MEC, que, por meio da promoção em nível nacional de aulas de atualidades, psicologia e socialização, deve desincentivar os jovens a depositar suas esperanças de felicidade e segurança em relacionamentos amorosos ao invés de em realizações pessoais, com o objetivo de reduzir o número de casos de casamentos tóxicos na idade adulta dos jovens.