Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?
Enviada em 27/05/2022
No filme “À prova de fogo”, é relatada a história de um casal que passa por uma severa crise em seu relacionamento, chegando à beira de um divórcio, porém revertido em um final próspero. Fora do âmbito ficcional, nota-se que esta problemática se faz presente no cotidiano de diversas famílias, que não superam maus momentos e recorrem a separação. Logo, destaca-se os motivos dos casamentos terem se tornado descartáveis atualmente, a citar, a mudança do papel feminino na sociedade, e as alternativas jurídicas que facilitam o processo do divórico.
A princípio, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a quantidade de dissoluções dos casamentos é maior entre casais sem filhos, cerca de 37%. Sob essa perspectiva, percebe-se que essa proporção teve influência da ascenção da mulher dentro do mercado de trabalho, uma vez que a população feminina procura cada vez mais aprimorar-se profissionalmente e lança para segundo plano algumas etapas familiares. Por conseguinte, o número de matrimônios sem crianças aumenta drasticamente, que facilita as tomadas de decisões nos momentos de rompimento.
Outrossim, segundo o filósofo Zigmunt Bauman, a nossa sociedade torna as relações cada vez mais superficiais e descartáveis, uma modernidade líquida. Deste modo, aliado ao processo quebra das relações profundas, houve também o aumento do número de opções que facilitassem os divórcios, como acordos pré-nupciais, por exemplo, em virtude da grande demanda por essas medidas burocráticas e inovações mais eficazes. Além disso, é perceptível que as novas alternativas apenas auxiliaram os processos oriúndos de casamentos que já haviam se tornado descartáveis.
Portanto, deve-se a partir dos próprios casais, através do diálogo e auxílio profissional (terapia de casal e grupo de apoio, por exemplo), evitar que medidas extremas de rompimentos matrimoniais sejam tomadas, com ênfase na manutenção da relação profunda, defendido por Bauman, a fim de transformarmos o casamento em uma instituição sólida novamente.