Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?

Enviada em 13/06/2022

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange ao quesito da separação entre casais no país. Dessa forma, observa-se que os casamentos se tornaram descartáveis, refletindo um cenário desafiador, seja em virtude do individualismo, seja pela busca por prazeres instantâneos.

É indubitável, nesse contexto, que a questão do individualismo esteja entre as causas do problema. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. Sob essa lógica, a tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange aos casais que se unem para partilhar uma vida, mas agem de forma egoísta e egocêntrica. Essa liquidez que influi sobre a questão desse conflito funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Outrossim, a busca por prazeres instantâneos também se configura como um grande impasse para a solução da problemática. De acordo com o Hedonismo, filosofia grega, o prazer é o bem supremo da vida humana. Nessa perspectiva, a busca por prazeres instantâneos é justificada como o sentido da vida moral. No entanto, essa busca caracteriza-se como uma das principais causas das separações de casamentos nos últimos anos, tendo em vista os inúmeros casos de adultérios relatados como um dos principais motivos para os divórcios. Assim, a falta de um planejamento racional e menos imediatista impede que o problema seja resolvido.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Torna-se imperativo, então, que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais e para o equilíbrio da sociedade. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente na rotina dos casamentos e deixem de ser tratados como descartáveis.