Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?
Enviada em 16/06/2022
As primeiras formas de casamento funcionavam como ferramentas para consagrar alianças políticas, acordos econômicos e objetivos diplomáticos. Atualmente, o matrimônio visa principalmente a união conjugal, mas durante muito tempo representou mais os interesses de grupos familiares do que dos próprios noivos. Por isso, ao longo da história, o casamento sempre foi considerado um acontecimento muito relevante, sinônimo de sucesso e ascensão social, cuja efetivação é considerada, até hoje, fundamental para que o indivíduo esteja plenamente enquadrado nos moldes da sociedade. Entretanto, o número de divórcios tem aumentado expressivamente nas últimas décadas e despertou a necessidade de avaliação das causas ligadas ao declínio dessa tradição tão antiga.
Em primeiro plano, a carga cultural vigora como principal causa do problema apresentado, pois muitas pessoas casam visando seguir um rito perpetuado por gerações, praticamente como uma obrigação moral. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, os brasileiros estão se casando menos e, quando casados, ficando unidos civilmente por menos tempo. Logo, os dados denunciam que muitos indivíduos sentem-se pressionados socialmente a aderir ao matrimônio e quando precisam lidar com a rotina instalada pela união formal, arrependem-se.
Além disso, a falta de apoio psicológico para casais também figura como importante impulsionador do problema. De acordo com a Associação de Terapeutas de Casamento e Família dos EUA, três em cada quatro casais que vão à terapia admitem uma melhora nos relacionamentos. Portanto, se os brasileiros incorporassem essa prática a seus relacionamentos, não só teriam melhores oportunidades de conhecer os parceiros, como a chance de solidificar o projeto de união definitiva.
Nesse sentido, o Ministério da Saúde deveria criar um programa de apoio social e psicológico a casais que desejam realizar o matrimônio, chamado “Amor e mente”, por meio do qual psicólogos da rede pública pudessem oferecer terapia a esses casais durante o período de um ano, com a finalidade de promover maior reflexão sobre as relações amorosas estabelecidas e ampliar as perspectivas acerca do casamento. Ademais, como incentivo, seria ofertada a isenção de algumas taxas cobradas pelos cartórios de registro civil aos que optassem, ao final do programa, pela decisão afirmativa da união. Dessa forma, o Brasil caminhará para um futuro de relações amorosas mais saudáveis e melhor construídas.