Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?
Enviada em 07/07/2022
Relações interpessoais: da praticidade ao afastamento
Em “Modernidade Líquida”, o sociólogo Bauman discorre sobre relações frágeis e descartáveis no século atual. Assim como retratado, relações interpessoais entraram em conflitos e se tornam, cada vez mais, práticas e maleáveis. Dessa forma, o contexto capitalista que visa a funcionalidade como característica principal da sociedade e o rompimento histórico-cultural de costumes patriarcais corroboram com a vulnerabilidade desses laços.
Primeiramente, a inserção de mulheres no mercado de trabalho movimentou a mão de obra ativa do século XXI. Como representado no filme “Perfeita é a mãe”, mulheres assumiram não só os papéis familiares e conjugais, mas também papéis profissionais, o que gerou uma maior ocupação diária e, consequentemente, novas rotinas. Desse modo, relacionamentos nupciais passaram a exercer seu papel em segundo plano, objetivando, primordialmente, o crescimento pessoal e, principalmente, profissional exigido na sociedade capitalista e focada em mercado da atualidade.
Ademais, o contexto histórico em que casamentos eram forçados e arranjados foi reestruturado a partir de lutas e conquistas femininas. Nesse viés, a submissão imposta às mulheres transformava os casamentos em relacionamentos tóxicos e infelizes, além de reprimir o desejo feminino de separação, desonrando e desvalozirando-as. Dessa forma, esse fato corrobora com a falsa aparência de casamentos felizes e duradouros, diferentemente das relações atuais, nas quais ambos os parceiros cumprem e tornam como prioridade suas escolhas e desejos pessoais.
Portanto, medidas que visam a melhor compreensão entre interações são necessárias à sociedade nacional. Para isso, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, deve introduzir profissiomais como psicólogos e terapeutas em escolas, para que sentimentos próprios ou familiares, como a separação de pais, possam ser compreendidos e respeitados desde a infância. Assim, construir futuras relações saudáveis e diminuir relações descartáveis, como descrito por Bauman, na sociedade atual.