Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?

Enviada em 11/08/2022

No trecho de “Soneto de fidelidade”, Vinicius de Moraes ao falar de amor cita “que seja infinito enquanto dure”. No entanto, ao contrário do poema, os casamentos do século XXI duram cada vez menos tornando-se descartáveis. Dessa forma, cabe pontuar os porquês desse fenômeno, como a liquidez das relações e a facilidade de obtenção do divórcio.

A priori, o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, na sua obra “amor líquido” retrata a fragilidade dos laços humanos na pós-modernidade. Análogo ao livro, a realidade dos casamentos relaciona-se diretamente com a globalização e a rapidez das relações, ou seja, em um mundo refém do avanço da tecnologia em que cada vez mais se busca o imediatismo das ações, o matrimônio torna-se superficial e frágil. Com isso, os indivíduos do relacionamento são objetificados - com prazo de validade de acordo com seus interesses momentâneos - fazendo com que a expectativa de durabilidade do casamento seja reduzida ao ponto de ser descartável.

Em segunda análise, de acordo com dado do CNB (Colégio Notarial do Brasil), os cartórios registraram número recorde de divórcios em 2021 com mais de 80 mil registros no ano. Tal aumento é reflexo do advento do divórcio online, pois com a migração desse serviço para o meio eletrônico a facilidade de se realizar o ato sem sair de casa impulsiona a decisão. Assim, em uma sociedade marcada pelo individualismo e grande acesso à informação, mas com pouco ou quase nenhum aprofundamento no debate acerca da separação judicial, os casais na época presente diante das primeiras crises no relacionamento buscam logo romper o matrimônio.

Infere-se, portanto, que as grandes mídias sociais, a exemplo, tv e jornais, conscientize as pessoas a respeito do processo de entrada de divórcio por meio de campanhas em seus veículos com especialistas no assuntos. Além disso, a família como agente essencial na formação dos indivíduos, deve ensinar desde cedo através do diálogo a importância da construção de relações verdadeiras com base no respeito e honestidade, para que assim, conscientes da sua responsabilidade com o outro, os casamentos sejam solidificados e duradouros como no soneto.