Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?

Enviada em 15/07/2022

Durante o Romantismo, escola literária do século XVIII, predominava a visão idealizada das relações amorosas, em que o amor era “para sempre”. Porém, atualmente, percebe-se o contrário: os casamentos se tornaram descartáveis, isto é, o amor é muito mais contraditório do que afirmavam os românticos. Isso porque, a mulher conquistou espaço na sociedade, e as relações humanas ficaram mais superficiais.

Em primeiro plano, o lugar que a mulher tem na sociedade contemporânea permite que ela tome decisões sobre os relacionamentos que se encontra. Nesse contexto, “Niketche - uma história de poligamia”, livro escrito por Paulina Chiziane, retrata o machismo na cultura moçambicana. Assim, no romance, um único homem é casado com cinco mulheres que, ao descobrirem dos casos do marido, ficam indignadas. Todavia, elas não podem se divorciar, visto que seriam julgadas fortemente, pois, para o povo, mulher não opina, obedece. Desse modo, fica claro que a oportunidade do sexo feminino decidir sobre o casamento aumentou o número de divórcios, porque, diferentemente do livro, quando não há satisfação, as mulheres não são obrigadas a ficarem em silêncio.

Além disso, Zygmunt Bauman, filósofo polonês, caracteriza o mundo atual com o termo “Modernidade Líquida”, em que tudo é imprevisível, sem forma definida, como um líquido. Nesse sentido, para o pensador, as relações pessoais são um bom exemplo do conceito, haja vista que, devido, sobretudo, ao avanço das tecnologias de informação, a humanidade se tornou mais individualista e, consequentemente, as ralações mais superficiais. Então, tal falta de profundidade é certamente uma das causas dos inúmeros divórcios do século XXI, já que as pessoas não buscam conhecer, de fato, os companheiros antes e durante o casamento.

Em suma, é necessária a mudança na situação. Por isso, as escolas, com auxílio dos pais, devem conscientizar os jovens, por meio de discussões sobre o tema, com a finalidade de formar gerações com relações mais profundas e duradouras. Somente assim, diriam os românticos, a civilização estaria mais próxima do ideal.