Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?
Enviada em 24/08/2022
Por que não reciclar o casamento em vez de se desfazer dele?
Casamento não é brincadeira e merece a devida consideração. Isso vale tanto para começá-lo, quanto para terminá-lo. Antigamente, os matrimônios se iniciavam mais cedo, às vezes até na adolescência. Nos dias de hoje, além dos indivíduoss permanecerem mais tempo como noivos, quando casam, a união não costuma durar muito. Segundo dados do IBGE, a média máxima dos enlaces recentes é de apenas 15 anos. Essa pesquisa revela a atual conjuntura: o casório perdeu status e glamour, isto é, deixou de ter a importância que já lhe fora recebida uma época.
São vários os fatores que contribuíram para essa supressão. Entre eles, está o fato de que, em termos judiciais, o processo de divórcio se tornou mais simples e ágil, com menos burocracia. Outro motivo se relaciona com a ideia do feminismo, da luta das mulheres por mais respeito, igualdade e poder. Nos séculos passados, reconhecidos por terem sido períodos patriarcais, o sexo feminino não tinha voz e, por isso, sujeitava-se a tudo o que o homem mandava e fazia, inclusive o suporte de traições, preconceitos, discriminações e o machismo propriamente dito.
Uma outra razão para os matrimônios terem perdido o prestígio deriva da situação da sociedade atual, marcada como a era da informação, instantaneidade, do imediatismo e da velocidade. Ou seja, as relações são efêmeras e os contatos passageiros. O desapego, a independência, autonomia e autossuficiência são sentimentos que cresceram vertiginosamente a partir do século XXI. Então, ao menor sinal de problema, ao invés de tentar resolver o conflito, lidar com a desavença ou apaziguar a briga, os casais preferem romper o laço, praticamente descartando, de uma hora para outra, toda a história que construíram juntos.
Em suma, conforme apresentado anteriormente, casamento é uma condição séria e que envolve uma série de responsabilidades. Sendo assim, com medo de estabelecer tal vínculo, os cidadãos da Era Comum optam por manter somente uma união consensual: esquivam-se de alguns deveres, porém também abrem mão de certos direitos. Portanto, trata-se de um comportamento que colabora para um relacionamento instável e não duradouro, tendo em vista que, basta acontecer a primeira rusga, que a conexão se dissolve e toda a ligação se desfaz.