Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?

Enviada em 11/09/2022

A série “Coisa mais linda” retrata a estrutura familiar brasileira, em meados da década de 1950, e a maneira intolerante que a sociedade admitia o divórcio. Por outro lado, na atualidade, este processo vem crescendo no país, o que demonstra uma mudança radical da mentalidade comum, causando assim, diversos fenômenos sociais, dentre eles a banalização do casamento.

Segundo revistas femininas dos anos 1960 e 1970, as mulheres eram responsáveis pela manutenção dos casamentos, conforme orientações do tipo: “Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto, sem questioná-lo.” (Revista Cláudia, 1962). Em virtude disso, os relacionamentos eram duradouros e imutáveis, mesmo que disfuncionais. Contudo, tal instituição sofreu uma intensa modificação nas últimas décadas, devido à ascensão do movimento feminista, o qual conquistou para o setor feminino maior liberdade nas escolhas e independência financeira e afetiva.

Posto que as mulheres pouco a pouco se tornaram livres da dependência de seus conjugês, paralelamente, os números de divórcios aumentaram significativamente de 1984 a 2011, quando a taxa de separação no país era 1,2% e passou a 2,6%; conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Assim sendo, esse fenômeno está compreendido na teoria da modernidade líquida, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na qual explica a instabilidade das relações humanas contemporâneas, como consequência da supressão de uma realidade rígida, e repleta de normas de conduta, por outra mais flúida e volátil, presente na sociedade de hoje.

Portanto, devido as transformações sociais que abrangeram todo a comunidade, e também seus efeitos, os casamentos passaram a ser substituíveis e até mesmo descartáveis. Por isso, se faz necessário que o Ministério da Saúde ofereça serviços de planejamento familiar aos cônjuges, por meio de acompanhamento psicológico e médico nos postos de saúde, para que todos os casais se tornem aptos a viverem um casamento saudável e frutífero, e assim, as famílias brasileiras serem verdadeiramente afetivas desde seu início, passando para as próximas gerações valores e dignas virtudes.