Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?

Enviada em 22/10/2022

Na era da modernidade líquida, pode-se dizer que a instituição do casamento também se transformou. Se ,no século passado, tudo o que era é sólido se desmanchou no ar, pode-se dizer que, na contemporaneidade, as relações matrimoniais se liquefizeram. Portanto, no âmbito da sociedade de consumo, as relações conjugais seguiram essa lógica e igualmente tornaram-se descartáveis.

Nesse sentido, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman sustenta, no livro “Amor líquido”, que se vive em uma sociedade em que predominam o descompromisso e o individualismo. Assim, cria-se um ambiente em que os vínculos são frouxos. Logo, as pessoas são descartáveis. Em tal contexto, há o predomínio do utilitarismo nas relações. Tal transformação espraiou-se de tal forma no corpo social, que a legislação do direito de família foi alterada ,paulatinamente, facilitando enormemente o rompimento de vínculos que se sustentavam apenas por força da sociedade patriarcal. A emancipação da mulher, principalmente após a Segunda guerra mundial, e a lei Maria da Penha, mais recentemente, entram no bojo dessas revoluções, de sorte que a mulher também contribui para a economia familiar.

Outrossim, a própria literatura espelha essa transformação. No romance “Azul Corvo”, de Adriana Lisboa, a narradora não conhece o pai, pois foi vítima de alienação parental. As mulheres se sustentam e estão inseridas no mundo do trabalho. A família sofre reconfigurações, reverberando a efemeridade e a instabilidade da vida. Por outro lado, em “Sinfonia em Branco”, da mesma escritora, a família é tradicional, mas se sustenta apenas pela opressão e violência paterna.

Assim sendo, o Ministério da Educação, com o fito regular as transformações socias, deve produzir cartilhas educativas sobre o novo papel da família. Problemas como alienação parental e violência doméstica devem ser previnidos por meio de cursos obrigatórios em todas as instituições de ensino. Paralelamente, psicólogos devem atuar nesses estabelecimentos, acompanhando indícios de tais práticas e ministrando aulas educativas. Se as relações são líquidas e conflituosas, a atuação Estatal deve ser contínua e atenta para evitar abusos e desvios no seio das famílias,

já que os rompimentos são contingentes, mas não interrompem o fluxo da vida.