Conflito do século XXI: por que os casamentos se tornaram descartáveis?

Enviada em 03/11/2022

O filosófo Zygmunt Bauman define o mundo globalizado como uma Modernidade Líquida, isto é, o capitalismo e as revoluções industriais tornaram as esferas da vida social, como o amor, passíveis de uma maior possibilidade de ruptura. Sob essa conjuntura, a evolução do mundo antigo desfez a cultura patriarcal de um modelo padrão de família - Homem, mulher e filhos - e seu funcionamento, o que influenciou o conceito de casamento.

Primeiramente, desde os tempos antigos, a figura masculina está acostumada a ter a liderança e o poder sobre todas as coisas. No entanto, as revoluções das indústrias trouxeram uma profunda mudança política, fato que revelou as mazelas da cultura patriarcal, na qual impulsionadas pela insatisfação, as mulheres manifestaram seu desejo por igualdade, visto que a soberania masculina silenciou sua voz na participação do desenvolvimento, ora social, ora pessoal.

Sob esse viés, a Modernidade Líquida desconstruiu padrões conservadores através do ativismo e do posicionamento político por parte das mulheres, o que ceifou o paradigma de família que colocava o homem como autoridade e a mulher como submissa a este poder. Desse modo, o casamento se tornou descartável quando a centralização do capitalismo na mão da figura masculina interviu em sua personalidade, de forma que veio a deixar a cultura industrial acima de sua humanidade.

Portanto, investimentos, por parte do governo, em profissionais da psicoterapia na rede pública e sua importância na formação social e pessoal do cidadão, de forma que se torne acessível a todos, é um caminho para mitigar a problemática, já que, com as devidas técnicas da área de psicologia, podem influenciar o comportamento humano e induzi-lo a uma melhora, bem como a uma reflexão sobre conduta, ocorrência que permitiria a construção de relações saudáveis.