Consequências da ampliação de estudantes de escolas privadas ao Prouni

Enviada em 11/08/2023

Segundo Ariano Suassuna, ilustre pensador brasileiro, o território nacional está dividido em dois países distintos: o dos privilegiados e o dos despossuídos. Sob essa lógica, observa-se hodiernamente que a educação ofertada pelo PROUNI (Programa Universidade para Todos) tem sido pautada em disputas, estas que abrangem tanto um público privilegiado - advindo de escolas privadas - e outro adverso - advindo de escolas públicas, as quais, a maioria, têm baixa qualidade instrucional.

O PROUNI, programa elaborado com a proposta de equidade social para com estudantes que não têm condições de arcar com os custos de uma faculdade privada, dá chance para cidadãos que nunca tiveram oportunidade, oriundos de escola pública ou àqueles que são procedentes de escola privada com bolsa integral. Com a ampliação do programa, aceitando estudantes de escola particular, sem bolsa, há um equívoco com o intuito do projeto, pois não atenderá a perspectiva de oportunizar o ensino superior para classes de menor renda, gerando segregação social e estigma com uma parcela local.

De acordo com o G1, Portal Globo, o Ministério da Educação (MEC) sofreu cortes orçamentais de 3,23 bilhões em 2022, no governo Jair Bolsonaro. A área mais afetada foi a região nordeste, a qual já existe um enorme déficit educacional com, aproximadamente, 10 milhões de analfabetos, de acordo com o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Ademais, nota-se que a abrangência do PROUNI tem o fito de privilegiar grandes empresários, donos das universidades, as quais recebem isenção fiscal ao engajar alunos com bolsa integral ou parcial, esta última que agora poderá ser preenchida mais facilmente com estudantes que têm condições para arcar com 50% do valor.

Portanto, é notório que, para elucidar essa problemática, deve-se conscientizar a sociedade de que a abertura do FIES apenas trará, ainda mais, disparidade social. Para isso, é necessário que haja palestras institucionais e governamentais instruindo o manejamento correto do programa. Além disso, é necessário investir verbas em educação, não limitando-a, propondo um teto orçamental atualizado e progressivo anualmente. Dessa forma, poderá haver um só país: dos iguais.