Consequências da discriminação no ambiente político no Brasil

Enviada em 17/04/2023

No Dia Internacional das Mulheres, usando uma peruca feminina, um deputado federal fez um discurso transfóbico na tribuna do plenário da Câmara dos Deputados. Esse episódio revela que o país ainda é tremendamente preconceituoso, já que, mesmo em foro democrático feito para elaborar e discutir leis, a discriminação se evidencia fortemente. Defende-se, assim, que as consequências da discriminação no ambiente político no Brasil são preocupantes.

Nesse sentido, deve-se lembrar que a Constituição Cidadã afirma em seu preâmbulo que aqui se deseja construir uma “sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos”, todavia, quando um membro do legislativo usa a palavra para menosprezar e humilhar minorias, vê-se que há tremendo fosso entre as intenções da Carta Magna e a prática no cotidiano pátrio na vida de relações. Com efeito, há nesse caso concreto flagrante desrespeito à lei máxima da República, fato que depõe contra a propalada cordialidade nacional, vislumbrada por Sérgio Buarque de Holanda em seu clássico “Raízes do Brasil”.

Outrossim, segundos dados da organização da sociedade civil “Acontece – Arte e Política LGBTI+”, entre 2000 e 2021, 5.362 pessoas morreram em função do preconceito e da intolerância, porquanto há abjeto descaso das autoridades responsáveis pela efetivação de políticas públicas capazes de conter os casos de violência. Nesse contexto, atitudes como a do deputado Nikolas Ferreira mostram que há muito trabalho a ser desenvolvido para frear a escalada do preconceito. Ademais, o asco atinge outras minorias, logo o leque de medidas preventivas deve ser amplo, porquanto a Constituição Federal proteje o direito de todos e não apenas grupos hegemônicos da cisgeneridade.

Portanto, urge que o Ministério Público faça valer o seu papel de “guardião da lei” e denuncie todos os crimes contra as minorias. Para isso, deve-se criar uma força-tarefa para ajuizar casos como o do deputado Nikolas Ferreira. Ademais, o MP deve criar campanhas nacionais de conscientização sobre discriminação no ambiente político tupiniquim. Paralelamente, promotores devem visitar as escolas pelo país e mostrar a força da instituição, que precisa ser ativa na sua função de fiscal da lei, então poder-se-á criar uma sociedade sem preconceitos.