Consequências da discriminação no ambiente político no Brasil

Enviada em 16/05/2023

A Constituição Federal de 1988 assegura o respeito e o bem-estar social como ine-

rente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tais prerrogativas não se reverberam quando se observa a discriminação nas esferas de atuação política. Esse cenário prejudica não apenas a representação e o acolhimento de grupos sociais heterogê-

neos, mas também a consolidação de um ambiente de trabalho harmonioso e jus-

to. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura.

De início, é importante observar o pensamento abordado pelo filósofo Aristóteles, no qual ele afirma que o ser humano é um animal social e político. Nesse viés, o processo de discutir e participar de questões políticas, inato à natureza humana, que deveria abranger todos os grupos sociais, é pouco observado no país. Esse panorama ocorre porque a maioria das instituições discrimina a participação de uma parcela populacional, segregando-os, principalmente, devido a questões de gênero, etnia e sexualidade, impedindo a formação de uma sociedade inclusiva e negligenciando estimular a representação de líderes experientes e populares, capazes de erradicar determinados problemas sociais.

Ademais, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 82% das mulheres já sofreram violência psicológica em ambientes políticos. Nesse sentido, a intolerância e os abusos verbais nas instituições impedem o bem-estar e afetam o desempenho profissional dos indivíduos, influenciando o processo de atuação nas decisões políticas e na sua plena consolidação no mercado de trabalho.

Verifica-se, então, a necessidade de erradicar a discriminação no ambiente político brasileiro. Para isso, o Governo, por meio do Poder Legislativo, deve adotar leis mais rigorosas tangentes à participação e inclusão dos cidadãos nas esferas políticas e enfatizar os impactos do preconceito na vida social e política da população, a fim de ampliar a acessibilidade a todos os cidadãos. Além disso, é imprescindível que o Estado, mediante colaborações público-privadas, investigue e puna os indivíduos que praticam discriminação nos âmbitos políticos, objetivando garantir conscientização, segurança e bem-estar sociais. Assim, será possível construir uma sociedade permeada pelos elementos elencados na Magna Carta.