Consequências da discriminação no ambiente político no Brasil

Enviada em 16/07/2023

A concepção antecipada e opiniões desfavoráveis ao ambiente político é decorrente da proclamação excludente da república brasileira. Evento, este, que segue sendo questionado até a contemporaneidade devido ao fato de ser contraditório em suas entrelinhas, essencialmente com seus nativos.

Após o Marechal Deodoro da Fonseca proclamá-la sem a participação do povo em 1889, a Constituição de 1891 determinou que exclusivamente homens cafeicultores ricos conseguiram participar do novo regime. Com ela, indígenas, mulheres, libertos, estrangeiros e analfabetos foram excluídos da sociedade democrática. A situação se agrava em relação à participação dos primeiros, visto que eram classificados como uma população incapaz e que dava ao Estado Brasileiro a responsabilidade de “reeducá-los” e inseri-los na civilização. Essa situação só mudou quase um século depois com a Constituição de 1988, na qual reconheceu grupos nativos como cidadãos.

Contudo, nem sempre é respeitada e traz consequências negativas para estes, primordialmente no ambiente político. O desprezo a ela faz com que esses povos não consigam exercer seus deveres como cidadãos e, com isso, não consigam reinvindicar seus direitos, como o direito à vida e à liberdade e, aos poucos que conseguem atingir um cargo político, sofrem discriminação e exclusão social. A exemplo disso está um caso registrado na semana em que é celebrado o Dia do Índio de 2019, em que o G1 conversou com o prefeito indígena eleito no Acre da cidade de Marechal Thaumaturgo, Issac Piyãko (PMDB). Este relatou ter dificuldades de aceitação da população: “Na época da campanha, foi muito forte o preconceito por ser indígena concorrendo a uma eleição. Achavam que não era capaz de conduzir uma pasta política. Hoje, sendo prefeito, continua e quando alguma coisa dá errado, a situação parece que dobra, só por eu ser índio”, contou.

Tendo isso em vista, faz-se necessário a intervenção do Governo Federal na aplicação e fiscalização do que diz a Constituição em vigor. Ainda, é papel do Ministério da Educação e de instituições de ensino fazer campanhas de conscientização da população na tentativa de retirar esse estereótipo popular.