Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 27/02/2020
No livro " Sociedade do Espetáculo" -idealizado pelo filósofo francês Guy Debord - é retratada a interdependência entre a lógica de acumulação capitalista e a alienação social. Paralelamente, percebe-se que a espetacularização da violência nas mídias brasileiras é marcada por um constante elo entre dominação e aquisição financeira, o que compromete a criticidade e a socialização dos indivíduos. Com efeito, é imprescindível expor e viabilizar medidas para mitigar esse quadro caótico, a fim de reverter os efeitos danosos deste no âmbito social e educativo.
Em primeira análise, é lícito postular que a banalização da violência no cenário midiático revela uma ambição pelo lucro, de modo a homogeneizar a opinião pública. Tal fenômeno se dá, em metodologias práticas, pela transformação de atitudes repugnantes e repressivas em entretenimento social, a partir da manipulação de fatos. Um exemplo disso ocorreu em um Reality Show televisivo da
Rede Globo chamado “Big Brother Brasil”, na edição do ano de 2020, em que participantes como Pyong Lee e Petrix Barbosa cometeram atos de assédio no programa, que foram taxados pelo público como “brincadeira”. Isso pode ser analisado à luz do filósofo idealista Arthur Schopenhauer, que afirma em sua obra “O mundo como vontade e representação”, que as imagens ilusórias, formuladas na mente do indivíduo, nem sempre condizem com a realidade, o que torna este passível de se confundir. Dessa forma, mudanças estruturais fazem-se necessárias para reverter essa conjuntura enferma.
Outrossim, é imperativo mencionar que a espetacularização da violência pela mídia gera malefícios de cunho social e educativo, como o comprometimento da socialização e do senso crítico dos cidadãos. Tal cenário, de acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é fruto do excessivo individualismo na sociedade pós-moderna, o que gera um constante decréscimo de atitudes éticas,em detrimento do bem-estar coletivo. Logo,é substancial que mudanças sejam efetivadas para amenizar esse quadro.
Em síntese,urge que medidas sejam concretizadas para aplacar as consequências drásticas ocasionadas pela espetacularização da violência nas mídias brasileiras. É fundamental, portanto, que o Ministério da Educação (MEC), por meio de verbas públicas, crie uma disciplina específica voltada para o letramento digital nas escolas, do ensino básico até o médio, a partir de aulas, debates e distribuição de materiais informativos, ministrados por profissionais da educação e cientistas, a fim de recuperar a formação da criticidade cidadã desde a infância e instruir os indivíduos quanto ao uso sensato das tecnologias da informação. Ademais, o Governo Federal, por meio do Poder Legislativo, deve criar leis mais rigorosas para punir atos violentos exibidos nas mídias de maior influência no país.Assim, reverter-se-á tal cenário,idealizado em “Sociedade do Espetáculo”.