Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/03/2020

Em 2008, era notícia em todas as manchetes brasileiras o famoso “caso Eloá Cristina”, o mais longo sequestro em cárcere privado do Brasil.Tal caso ilustra a intensa espetacularização da violência por parte da mídia, que gera uma manipulação da opinião pública errônea e a ausência de privacidade das vítimas.

Nesse contexto, a princípio, cabe ressaltar a rápida disseminação de informações falsas que levam à irreflexão das pessoas diante de afirmativas jornalísticas.Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a sociedade contemporânea é imediatista de modo que a rapidez é o que gerencia as relações sociais sem haver preocupações com as consequências. Analogamente,com as notícias ocorre o mesmo, uma vez que a busca por audiência se torna frenética e a checagem das informações vira algo pouco relevante perante a competição de quem publica as notícias primeiro. Isso leva, então, a uma disseminação de notícias inverossímeis em que os casos reais de violência são transformados em narrativas românticas com o intuito de atrair o público.

Outrossim, a exposição demasiada das vítimas também é uma consequência da exagerada espetacularização da violência pelos meios de comunicação. Conforme Pierre Bourdieu, filósofo francês, um instrumento de democracia não deve ser convertido em instrumento de opressão. E, nesse sentido,a falta de privacidade das pessoas envolvidas nos casos como o da jovem Eloá é um tipo de opressão, uma vez que o interrogatório massivo dos repórteres e o julgamento público se tornam sufocantes.

Infere-se, portanto, que as consequências são danosas e as medidas a serem tomadas são imprescindíveis. Dessa maneira, urge que o Ministério da Justiça e Segurança Pública preserve a imagem das vítimas por meio de leis que estabeleçam multas para os veículos de mídia que desrespeitarem o momento frágil das vítimas com o fito de evitar possíveis danos psicológicos, como depressão e síndrome do pânico.Assim, casos como de Eloá serão tratados com seriedade e não como novela das nove.