Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 05/03/2020
A tragédia foi um gênero criado na Grécia antiga no qual dramaturgos criavam histórias com fins trágicos e exibiam ao público, buscando levá-los a reflexão. No atual período, o jornalismo busca trazer características desse gênero para si sem, no entanto, levar o público a refletir. Consequentemente, isso gera um espectador pouco pensante e um jornalismo baseado puramente em entretenimento.
Em primeiro lugar,é preciso destacar que há uma busca constante por trazer informação de maneira rápida sem, ao menos, comprovar sua veracidade. O sociólogo Bauman, em seus trabalhos sobre a modernidade, descreve isso como um problema pois o cérebro humano não está preparado para lidar com o bombardeio de informações característicos dessa época. Sendo assim, a capacidade do público de refletir sobre o que está sendo exposto fica cerceada devido ao grande volume de informações imprecisas e ao pouco tempo para pensar e ponderar a respeito delas.
Outrossim, a dramatização e a espetacularização excessiva também prejudicam a qualidade do jornalismo, pois ao invés de se comprometerem com a informação séria e precisa , os jornais buscam se assemelhar a Indústria Cultural. Os pensadores da escola de Frankfurt a definem como uma mídia voltada exclusivamente para o entretenimento desenfreado, sem levar o leitor a uma reflexão crítica. Com efeito, o espectador torna-se cada vez mais superficial e entorpecido pelo prazer e pela diversão num momento que deveria ser levado a receber informação de qualidade e a refletir sobre ela.
Em razão disso, é necessário tornar a mídia um lugar saudável e capacitar às pessoas agirem com cautela e inteligência a respeito do que assistem. Isso poderia ser feito pelo Legislativo com leis que penalizassem empresas de notícias que veiculassem informações errôneas ou de maneira irresponsável e pouco precisa com multas, por exemplo, e também as obrigando a se retratar com o público. O Ministério da Educação, por sua vez, poderia fazer campanhas nas escolas, universidades e redes sociais que educassem a população a cerca da seleção adequada de informações que recebem da mídia. Contribuindo assim, com a veiculação adequada e responsável da informação e com a capacidade crítica do cidadão.