Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 07/03/2020
Na contemporânea 4º Revolução Industrial, revolução tecnológica disruptiva, possibilita que a transmissão de notícias propague-se de maneira ágil. Não obstante, ocasiona, também, consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira, dado que a crueldade é disseminada de forma errônea e pouco reflexiva sobre seus impactos. Nesse viés, não só o modo como são veiculadas as notícias, mas também a consequente banalização da morte, são determinantes na busca por soluções à problemática.
A priori, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade hodierna vive a cultura do imediatismo, esse quadro advoga com a necessidade que os meios de difusão de informação têm de propagar acontecimentos com rapidez. No que concerne esse fato, a violência é disseminada de forma espetacularizada, como exemplo os casos de tiroteio em comunidades periféricas no Rio de Janeiro, em que alguns jornais expõem de maneira incivil o duelo entre criminosos e policiais. Evidencia-se, então, que é extraviada a importância da transmissão de notícias em decorrência do imediatismo social.
De maneira análoga, de acordo com o livro “1984”, de George Orwell, a população era controlada pelas informações difundidas apenas pela teletelas, que regulamentavam as opiniões da população. Fora da ficção, o mesmo ocorre, haja vista que a transmissão de notícias como estupros, assassinatos, roubos e latrocínios, estão tornando-se banais para os cidadãos, visto que diariamente os meios de comunicação em massa divulgam esses casos, com objetivo de alcançarem elevados índices de audiência. Confirma-se assim, que o público também é comedido, de forma subjetiva, pelas informações espetacularizadas, destacando a necessidade de ações plurais para a solução.
Torna-se visível, portanto, que intervenções são urgentes à desconstrução desse quadro de espetacularização da violência pela mídia brasileira. Faz-se imprescindível, que o Governo Federal, com o Ministério da Justiça, intervenha nos meios de comunicação, por meio de cláusulas que regulamentem a forma que a violência é transmitida à população, com uma menor divulgação de fotos explícitas de assassinatos e textos jornalísticos que mostrem o disparato da violência, a fim de encerrar com a espetacularização dos meios de difusão de informações. Com tais implementações, os recursos da 4º Revolução Industrial poderão serem utilizados de forma assertiva.