Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 07/03/2020

A violência sempre fez parte das sociedades - inclusive como espetáculo Um exemplo claro é o Coliseu, na Roma Antiga. Entretanto, a diferença entre este e a violência espetacularizada hoje é que as mídias, seja na televisão ou na internet, aproximam a realidade apresentada e o expectador Assim, os romanos que assistiam às lutas não temiam que o mesmo ocorresse a eles, mas os brasileiros sim, o que leva a consequências gravíssimas.

De fato, o sensacionalismo dos meios de informação em torno de episódios violentos causa um pânico nos seus expectadores. Presentes em suas casas como parte de seus cotidianos, a abordagem exagerada dos jornais fomenta o medo de ser a próxima vítima. Como consequência, há a revolta por ver os casos ocorrerem repetidamente, a sensação de impunidade dos crimes e até o perigoso desejo de “justiça” com as próprias mãos.

E a mídia prossegue com a ampla cobertura desses casos devido à grande audiência que conseguem por meio deles. Por exemplo, o sequestro de um ônibus na Ponte Rio-Niterói, em 2019, rendeu aos principais jornais uma cobertura de uma manhã inteira. Mesmo sem informações novas ou validadas todo esse tempo, a simples presença no núcleo do conflito atrai expectadores.

Sendo assim, entende-se que a transformação da violência em espetáculo é maléfica à sociedade. A resolução desse problema passa por uma orientação do governo federal às redes midiáticas a não cometerem tais excessos nas reportagens, e à sociedade para que não dê audiência a programas que cometam. Além disso, é importante um trabalho conjunto entre as mídias e as forças policiais na criação de uma fonte de informação segura, advinda diretamente dos próprios registros policiais, e não da observação leviana de qualquer jornalista.